Fazer diferente

por Roberto Drumond

Crônicas Em 07/02/2020 23:35:12

Todos os anos o mês de janeiro é encharcado pelas chuvas. Não é um espetáculo esporádico, ele é esperado ansiosamente como o sol de verão e as férias escolares. Ano após ano esse jornal fica de plantão sabendo que as avenidas vão encher, o comércio vai fechar as portas para evitar as ondas provocadas pelos veículos e as estradas rurais, de todos os municípios, são fechadas por árvores, barrancos e lama.

Uma pesquisa atenta nas edições dos quase trinta anos desse jornal vai demonstrar que os problemas se repetem com insistência, como avisos de que algo precisa ser feito em nome da segurança da população. Como extraordinário aconteceu em janeiro do primeiro ano da administração do Padre Gabriel Bina, quando o barranco ao lado da Estação de Tratamento de Água dos 13 de maio, despencou. Isso não dava para prever, de resto...!

Aprofundando a nossa pesquisa vamos encontrar pelo menos em três administrações, os laudos elaborados por institutos de engenharia apontando as áreas de risco. Entre eles um enorme levantamento feito pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) realizado durante a administração de Helio Buscarioli onde se registrava, pormenorizadamente, as áreas de risco.

Passaram-se inúmeras administrações, mas os problemas continuam os mesmos. A engenharia já tem soluções para diversas ocorrências, mas há uma insistência em repetir as mesmas soluções que jamais solucionaram os problemas. E, igualmente, as justificativas são as mesmas do decorrer dos anos: não há previsão orçamentária; não tem dinheiro; não foi feito projeto; e outras esfarrapadas que apenas denotam o pouco caso que se faz com esse tipo de ocorrência.

Em outra vertente temos as verbas destinadas ao asfaltamento. O manto negro sobre as estradas permitem que as enxurrada rolem com maior velocidade além de impermeabilizar o solo em grandes extensões. O mesmo vai acontecendo com a construção de casas, galpões todos necessários ao crescimento da cidade, mas frequentemente feitos de maneira aleatória, fruto de improvisações e oportunismo. Ainda recentemente foi incluída na legislação isabelenses a obrigatoriedade de se coletar a água de chuva. A idéia era ter reserva hídrica, mas ninguém sabia explicar o que deveria ser feito com o volume de água excedente. Continuariam sendo jogados na natureza cavando seus caminhos até atingir um curso de água inundando mais adiante.

Essa exigência foi aliviada. Afinal, está sobrando água atualmente e não há porque se preocupar com isso até a próxima temporada de seca. Esse ano teremos eleições: seria bom que os candidatos que têm solução para tudo assumissem de fato o compromisso de fazer diferente. Pois, como dizia Einstein, não se pode esperar resultado diferente se fazemos sempre tudo igual!