Falha de comunicação prejudica Saúde

Ela gastou quase o valor do aluguel para fazer exames que o Posto de Saúde tinha o resultado, mas não entregou

Saúde Em 04/10/2019 22:24:20

Na manhã de quinta-feira, dia 03/10, Ivana Tenório de 47 anos ligou na UBS do Bairro Jd. Eldorado, em Santa Isabel, para saber se o resultado de seus exames, feitos há um mês, estavam prontos. Ela precisa desse resultado para agendar uma nova cirurgia de retirada da bolsa de colostomia. Foi informada que não havia resultado ou previsão de entrega do mesmo. 

Diante dos prazos que precisa cumprir por afastamento de suas atividades pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Ivana não viu outra saída a não ser pagar pelos exames em um laboratório particular. O valor totalfoi de R$269,60, já com o desconto especial destinado aos pacientes que apresentam guias de SUS (Sistema Único de Saúde). Ivana voltou para casa revoltada, no final, seus exames lhe custaram quase o mesmo valor que ela paga em um mês de aluguel, R$350,00. 

“A minha revolta não é só com a minha situação, é que ela reflete a mesma agonia de outras dezenas de pessoas que recorrem ao Sistema Único de Saúde. E o SUS é bom! Não posso reclamar do modo como sou atendida no Posto de Saúde, na UPA ou na Santa Casa, hospital onde operei em abril de um mioma com complicações que colocavam a minha vida em risco. Dr. Orlando tem as mãos guiadas por Deus”, diz.

Formada como técnica de enfermagem, Ivana é incisiva em responsabilizar principalmente o laboratório pelo transtorno. “Mas a prefeitura também tem sua parcela de responsabilidade, divulgou que fez quatro notificações, como se isso amenizasse o problema. Não ameniza. Estamos falando de ‘vidas’ se você já fez duas notificações e sabe que não pode confiar, ao manter a empresa não seria isso negligência?”, questiona.

Ivana recebeu a reportagem do Ouvidor em sua casa, ela é extremamente gentil apesar da revolta e dificuldades que enfrenta em razão da colostomia. Ofereceu as cadeiras da cozinha para sentarmos e elas estavam cobertas por almofadas brancas com capas de crochê em temas florais. “Tenho de sentar sempre no alto, no trono! Por causa da cirurgia”, explica. 

Com o abdômen inchado,a rotina de Ivana exige pouco esforço de sua parte nas atividades mais corriqueiras, como ir à porta receber a visita. Mesmo assim ela não para, em passos lentos e cautelosos conta que sua cicatriz começa na boca do estômago e vai até embaixo do umbigo. “O Médico disse que foi preciso explorar o que de grave ameaçava minha vida, havia tanta inflamação e pus em meus ovários que eles viraram uma grande massa que se colou à parede do intestino e ele, por fim, acabou se rompendo”, descreve. A cirurgia salvou sua vida, agora o objetivo de Ivana é retirar a bolsa de colostomia para voltar a trabalhar.

No Bairro Pouso Alegre, Moacyr Viana Biral, de 66 anos, conta que não foram exames de urgência, mas os de rotina “feitos há três meses que o resultado nunca fica pronto. A entrevista ao vivo com Moacyr está no facebook do Jornal Ouvidor.

Problemas pontuais

À tarde de quinta-feira, a secretária de Saúde de Santa Isabel, Estela Santana, ao tomar conhecimento do drama de Ivana questionou a diretora Jaci qual a realidade dos fatos, imediatamente Jaci respondeu: “Mandei para a UBS o resultado dos exames por e-mail ontem, dia 02/10”. 

Em notório constrangimento, Estela disse que está visitando todas as unidades de saúde para resolver o problema da falta de comunicação. “O atraso na entrega de resultado de exame é pontual, não é geral como querem fazer crer”, explica Estela. 

A recomendação para quem tem os exames em atraso é ligar diretamente para a Secretaria de Saúde no telefone (11) 4656-4444.

Estela destacou que a coleta de exames nos postos de saúde não está suspensa. “Estamos em trâmites legais de desligamento do contrato com o Laboratório de Análises Clínicas Carlos Rocha, que já recebeu a primeira fatura correspondente ao mês de agosto. Por enquanto, a Prefeitura de Santa Isabelestá pagando, por meio de compra direta, ao SM Análises Clínicas e Diagnósticos para levar as amostras até Guarulhos e realizar os exames coletados”, explicou.

A Secretária salienta que se trata de uma situação provisória até que seja finalizado o processo de licitação.