Erro sobre erro

por Roberto Drumond

Crônicas Em 02/11/2017 19:26:24

Alexandre Di Pietra é advogado e contador na Câmara Municipal de Santa Isabel. Ele resumiu bem o problema que os presentes à audiência pública destinada a votar a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2018, realizada na terça-feira passada tinham diante de si:

“Estamos diante de um projeto de orçamento para o próximo ano que apresenta falhas técnicas que precisavam ser corrigidas antes de serem apresentadas à população. Essa Casa deu oportunidade para que o Executivo corrigisse os apontamentos feitos por nossa comissão, prorrogamos a audiência que era para ter acontecido na segunda-feira, 16/10, para esta semana, mas até às 18h de hoje, 31/10, não recebemos uma manifestação da Prefeita Fábia Porto e de sua equipe técnica com relação as nossas observações, nem os envios dos anexos que faltavam no Projeto”.

Na prática ele disse que todas as pessoas que estavam ali no salão nobre da Câmara dos Vereadores deveriam usar o seu tempo de uma maneira mais adequada, ao invés de participar de uma reunião que se revelava inútil.

Ficou no ar uma pergunta insistente: se a Prefeitura não enviou o material adequado para ser avaliado na audiência pública, porque razão o Legislativo insistiu em realizá-la mesmo sabendo de sua inutilidade?

A resposta chegou de forma lacônica através do vereador Alencar Galbiatti, presidente da Casa: - Já estava convocada! Cancelar por que?

De um lado fica a impressão de que a manutenção da convocação de um evento, que já havia sido cancelado uma vez, tenha sido feita apenas para ressaltar ainda mais as complicadas condições que o Executivo vem enfrentando para superar as exigências da administração municipal.

Não é novidade o posicionamento do Legislativo, especialmente do presidente Galbiatti, contrário à assessoria financeira do executivo de onde deveria ter emanado todos os documentos enviados à Câmara para a avaliação na audiência pública. Aparentemente, o departamento de Finanças da Prefeitura deveria avaliar a documentação antes de enviá-la para análise da Casa de Leis. Contudo, ao realizar o evento inutilmente, a Câmara expõe de modo irrefutável a falha dentro da administração como um todo e até a credibilidade sobre si mesma.

Ao convocar o povo para uma audiência sem qualquer serventia contribui para desestimular a participação da sociedade que pouco, ou nada, ganha com o conflito entre os dois poderes que vem se arrastando desde o início da atual gestão.

Na tentativa, um tanto quanto infantil, de gastar recursos públicos para destacar o erro do outro, a audiência fez lembrar a imagem dos dois burricos que, amarrados um ao outro querem comer, cada um de um monte de capim diferente, enquanto se comessem juntos poderiam desfrutar do alimento com menos prejuízo para ambos os lados. Turrice tem cura: é o diálogo.