Empresário é detido por furtar água da Sabesp para encher caminhões-pipa

Crime foi constatado graças a uma denúncia anônima; volume desviado era vendido ilegalmente em veículos que podem contaminar a água

Segurança Pública Em 11/05/2018 01:22:48

Por comunicação da Sabesp  

 

 (11/05/2018)  Um  empresário  foi  preso  na  manhã de hoje em operação da

 Sabesp  e da Polícia Civil por furto de água potável. O crime foi flagrado

 em  uma  transportadora  na  região  do  Socorro, zona sul de São Paulo. O

 proprietário  foi  levado  para  a  6ª Delegacia Seccional (Santo Amaro) e

 autuado por furto qualificado após o registro do boletim de ocorrência.

 

 Depois de receber uma dica anônima pelo Disque-Denúncia (181), policiais e

 fiscais  da Sabesp foram ao local para verificar se a informação procedia.

 No   momento  do  flagrante,  um  caminhão-pipa  estava  sendo  abastecido

 ilegalmente  por  uma  mangueira.  Os  técnicos  da Sabesp registraram uma

 manipulação  na  infraestrutura de abastecimento que impedia o registro da

 água  consumida  pelo  imóvel – ou seja, o empresário desviava a água, não

 pagava  por  ela  e  ainda  recebia  dos  donos  dos  caminhões-pipa  pelo

 fornecimento.   Esse   volume   depois   era   vendido   para  compradores

 particulares, que podem ser residências, comércios e indústrias.

 

 Como não se sabe como é feita a manutenção e a operação dos caminhões-pipa

 que  participavam  do  esquema,  existe o risco de a água vendida ter sido

 contaminada.  Veículos desse tipo devem passar por desinfecção periódica e

 não  podem  transportar  outros  produtos,  como  combustíveis  ou  óleos.

 Substâncias  como  essas  deixam  resíduos  dentro  do  tambor, que depois

 contaminam a água furtada.

 

 Além  disso, a má conservação e o manuseio indevido da mangueira utilizada

 também  podem  causar  contaminação. A Sabesp assegura a qualidade da água

 fornecida até a entrada dos imóveis.

 

 O  caso  desse  empresário  dificulta  até o cálculo do volume furtado. Em

 geral,  as irregularidades são realizadas para consumo interno de casas ou

 estabelecimentos  comerciais  e  a  Sabesp  analisa o perfil do imóvel e a

 média  de  consumo  anterior à fraude para mensurar o quanto foi furtado e

 cobrar  pelo  desvio.  Já  o flagrante de hoje exigirá uma investigação da

 Polícia  Civil  em  parceria  com  a Sabesp para verificar qual valor será

 cobrado da empresa.

 

 As  fraudes  prejudicam  toda a população. Quem comete o crime de furto de

 água  não  se  preocupa com o desperdício, pois acredita que não vai pagar

 pelo  alto  consumo.  É comum entre fraudadores deixar torneiras abertas e

 não  consertar  vazamentos.  Pior: os desvios tiram água das tubulações de

 todos  o  bairro,  prejudicando  a  pressão do abastecimento na região. Em

 casos  de  irregularidade,  os proprietários ou representantes dos imóveis

 são  convocados  para  prestar  esclarecimentos  para  a  polícia,  com  a

 respectiva  abertura  de  inquérito  para  investigar os responsáveis pelo

 furto de água.

 

 O  crime de furto é tipificado no artigo 155 do Código Penal, que prevê de

 um  a  quatro  anos  de  reclusão. A pena pode subir para até oito anos de

 cadeia  caso  haja  qualificação  – como quando há participação de duas ou

 mais pessoas ou destruição de equipamentos.

 

 Para  identificar  esse  tipo  de  crime,  a Sabesp também trabalha com as

 equipes  de  caça-fraude, que acompanham o consumo e vistoriam os imóveis.

 Além disso, conta com a colaboração da própria população, que pode relatar

 casos  suspeitos pela Central de Atendimento (195) ou pelo Disque-Denúncia

 (181). A chamada é gratuita e não exige a identificação de quem telefona.

 

 Gráfica na zona norte também foi flagrada

 Também  hoje, outra equipe caça-fraudes da Sabesp flagrou furto de água em

 uma  indústria  gráfica localizada no bairro da Freguesia do Ó, zona norte

 paulistana.  O  proprietário do estabelecimento foi conduzido pela Polícia

 Civil ao 73º Distrito Policial.

 

 A  Sabesp acompanha continuamente o histórico de consumo de seus clientes.

 No  caso  deste flagrante, o estabelecimento apresentava nos últimos meses

 média de consumo menor do que o normal para este tipo de comércio. Durante

 a  vistoria,  foi  constatada  uma ligação irregular que desviava parte do

 volume  de  água  consumido.  A  estimativa é que tenham sido furtados 1,8

 milhão  de litros de água nos últimos 12 meses. A quantia seria suficiente

 para abastecer mais de 16 mil pessoas em um único dia.

 

 O  proprietário  da  empresa  foi  autuado  pelo  crime  de furto e deverá

 realizar também o pagamento retroativo pela água consumida.