ELEIÇÕES

por Roberto Drumond

Crônicas Em 04/10/2018 19:43:11

As eleições no próximo domingo são sem dúvida alguma as mais importantes da história do Brasil. Uma pelo fato de estarem polarizadas entre posições radicais dos candidatos a presidente e outra por estarem sendo pouco compreendidas pelo eleitor médio.

A escolha do próximo presidente da República coloca o último voto a ser acionado na urna eletrônica como sendo o definitivo e não o é! Para definição dos governantes do país e dos estados ainda haverá segundo turno. O que será definitivo e, o mais importante, é o voto nos senadores (dois para São Paulo) e os deputados federais e estaduais.

Qualquer que seja o presidente eleito, no segundo turno ele terá de governar com o congresso, assim como o governador terá de se submeter à Assembleia Legislativa. Isso torna a escolha dos deputados e senadores mais importante, a meu ver, do que a de presidente da república. São esses personagens ultimamente tão vilipendiados pela opinião pública que possibilitarão, ou não, os descalabros propostos pelo presidente. Claro que, sempre haverá a possibilidade maluca de o presidente tentar “fechar o Congresso” (retrocedendo o país alguns anos a mais), mas nesse caso temos as forças sociais (e quem sabe, as armadas) capazes de defender a instituições. Alguns debates sobre a nossa história sugerem que o ex-presidente Jânio Quadros tentou algo parecido. Deu no que deu, ele próprio foi obrigado a renunciar abrindo espaço para um dos períodos mais obscuros vividos pelo país.

Embora o Congresso atual tenha o seu lado conivente com os crimes que vem sendo denunciados e submetidos à Justiça, têm muitos deputados e senadores imunes aos maus feitos além de uma série de novos candidatos dispostos a construir um país diferente.

Cabe ao eleitor escolher o senador e o deputado que julgar mais capazes de refrear os impulsos do presidente eleito no segundo turno, mantendo-o dentro dos limites estabelecidos pela Constituição e imune às influências ideológicas mais nefastas, experimentadas ou não na nossa curta democracia.

Não cabe ao eleitor jogar o país na direita ou na esquerda como querem fazer crer as campanhas eleitorais. Cabe ao cidadão escolher, de fato, as forças moderadoras que limitem os avanços mais radicais, deixando que as mudanças sejam implementadas a partir das leis em vigor e não sob o domínio da corrupção e do corporativismo como registrado nos últimos anos.

Precisamos, nesse domingo, acreditar nas forças que emergirão do Congresso e das Assembleias à luz de uma confiança que vem surgindo a partir da penalização de maus feitos e de desvios de comportamento incompatíveis com os desejos da população. É preciso que escolhamos nossos senadores e deputados para evitar de não termos, em breve, um país para legar a nossos filhos.