Educação é fundamental

por Roberto Drumond

Crônicas Em 03/08/2018 20:02:43

O cronista identificou como o “Dia em que o povo cobrou de seus empregados, os vereadores”. De fato o título está correto e o que fugiu à regra da democracia foram os acontecimentos na Câmara de Igaratá, na noite da omelete. Os cobradores atiraram ovos em seus empregados numa demonstração clara de que, tanto os vereadores como o público presente não estão aptos para uma prática verdadeiramente democrática.

Faz parte do aprendizado, dirão alguns! Talvez faça, mas educação é elementar em qualquer tipo de relacionamento e, sinceramente, não vejo nessa ovação às avessas uma manifestação educativa.

Os vereadores presentes na sessão de quarta-feira passada, da situação ou da oposição, estavam ali representando aqueles que os elegeram. Alguns até mesmo com os votos de quem tenha se manifestado com a omelete e, por isso, merecem respeito. Contudo, foi a arrogância e o despreparo para lidar com a coisa pública que serviu de gatilho para desencadear a agressão por parte dos eleitores.

Despreparo porque condenaram, na atual administração, o que lhes serviu na administração passada. Em 2014 o prefeito Elzo pagou com RPA centenas de pessoas, 33 delas receberam mais de oito mil reais no ano, valor proibido de ultrapassar durante exercício. Um dos beneficiados recebeu quase 60 mil reais. No ano seguinte, 25 receberam mais do que os oito mil autorizados pela lei e, em 2016 foram 11, um dos quais recebeu mais de 20 mil reais. 

Há quem acredite que tendo sido 2014 um ano eleitoral (tal como esse ano de 2018), os pagamentos de RPA justificaram a remuneração de eventuais agentes de campanha política e que, ao denunciar esse ano o uso do recurso, os vereadores simplesmente buscam evitar que o mesmo artifício seja aplicado pela atual administração. É o caso típico de medir os outros com a própria régua.

Sem conhecer leis, sem ter formação e sem informação, vereadores são obrigados a decidir o destino de municípios que vivem sob a tutela de interesses nem sempre coletivos. E, somados em maioria, tornam-se de tal forma arrogantes que se assemelham aos ditadores que acham que somente eles têm razão e que os erros pertencem aos outros.

Estamos diante de um dos momentos mais importantes do país. Vamos escolher um presidente com a responsabilidade de restaurar não só a economia, mas também a confiança nos políticos e no diálogo. Não serão ovos nem teimosia que conseguirão dar mais qualidade de vida aos brasileiros, mas o entendimento e o respeito na certeza de que cada um, de maneira digna, dá o melhor de si pelo bem de todos.