Ditadura da Corrupção

por Roberto Drumond

Crônicas Em 01/06/2018 18:09:10

Não existe ditadura boa! E olha que existem diversos tipos de ditadura! Uma delas foi a que dominou o Brasil nos chamados anos de chumbo e durou de 1964 a 1985. Nela, os governantes (todos militares) faziam as leis conforme lhes parecia necessário. Quem quer que fosse contra elas, descobria-se uma forma de punição. Não importa qual.

Outra ditadura é a chamada ditadura democrática. Isso mesmo. É a ditadura em que o governante é eleito sucessivamente presidente de uma nação. Não importa o modo com o qual ele conquista os votos, sufocando a oposição, falsificando resultados. Para todos os efeitos, a história desse país registrará que “foi eleito pela vontade do povo”.

O final da ditadura dos militares no Brasil devolveu ao brasileiro o seu direito de voto. O que antes se fazia escolhendo entre dois partidos ( Arena ou MDB), ambos comprometidos com a estrutura política da ditadura, passou a ser possível de se escolher na sopa de letrinhas dos partidos políticos.

Essa pulverização da representatividade fez surgir 35 partidos atualmente registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e uma fila de mais 73 em busca da regularização. Essa conformação eleitoral deu início a um tipo diferente de ditadura que ouso chamar de “Ditadura da Corrupção”. Para se manter no poder os grupos interessados usam todos os artifícios possíveis para conseguir o apoio de partidos menores, assegurando através de nomeações ou propinas o seu domínio sobre o Congresso, aprovando leis destinadas a permitir a perpetuação no poder ou mesmo os benefícios diretos e indiretos às áreas de interesses. E que se dane a população!

A defesa que hoje vemos sendo feita do retorno dos militares nada mais é do que a desesperança na política tradicional no Brasil, mergulhada nos sucessivos escândalos denunciados pela “Lava Jato”. Uma pesquisa encomendada pelo Palácio do Governo mostra que 36% dos brasileiros são simpáticos às forças armadas. Em razão dessa percepção, Temer se cercou de altas patentes de modo a demonstrar para a população o apoio das armas a seu desprestigiado governo. E os militares, esses já se mostram desinteressados em assumir o chapéu velho que se transformou a governança do país.

Ao próximo presidente caberá restaurar a democracia brasileira. E essa só será possível se a lei for cumprida, como em países onde não há exceções, onde todos são de fato, iguais perante a lei independentemente de cor, credo, opção sexual, profissão, status político etc. Acabar com os privilégios, especialmente dos políticos, é uma das medidas capazes de devolver ao Brasil a paz e a ordem que todos desejamos. A política tem de ser pelo bem comum!

Será mera coincidência a morte do jornalista Audálio Dantas que denunciou o assassinato de Vladimir Herzog exatamente na mesma semana em que parte do país se ajoelha pedindo a volta dos militares?