Desesperado por drogas homem ateia fogo na própria casa

O crime ocorreu na madrugada de terça-feira, 22, no Bairro Jd. Portugal em Santa Isabel. Rapaz não foi preso e mãe implora por internação do filho

Segurança Pública Em 25/11/2016 21:04:56

Reportagem: Bruno Martins

 

“Eu já não sei mais o que fazer com o meu filho, se eu não matar ele, é ele quem vai acabar me matando”, essas são as palavras desesperadas de uma mãe que já constata ter perdido o filho para as drogas. Maria de Lourdes Pereira Tomasini, 60, tenta encontrar forças para recomeçar do zero, após o filho, de 30 anos, ter ateado fogo na própria casa, no Bairro Jd. Portugal em Santa Isabel. 

Ricardo Maciel Pereira, 30, é um dos filhos de Maria, há anos ela busca junto ao poder público uma forma de conseguir internar o filho que é dependente químico, mas lamenta nunca ter conseguido o apoio que procurou: “Eles dizem que a internação precisa ser de vontade dele, eles estão esperando que um doente aceite ser internado? Eu já não aguento mais lutar contra o meu filho toda vez que ele fica agressivo querendo dinheiro para comprar droga”, diz. 

Na madrugada de terça-feira, 22, o desespero de Ricardo por drogas foi maior do que a mãe imaginava, sem conseguir o dinheiro que queria, ele quebrou os móveis da casa da irmã e ateou fogo na própria casa onde morava com a mãe. As chamas destruíram completamente a residência. Chorando a mãe confessa: “De verdade, eu já não sei mais o que fazer, sou uma pessoa doente cuidando de outra e preciso de ajuda. Minha filha está desesperada, anda vagando pela rua com os três filhos, porque tem medo de voltar para a casa. O que ela comprou com muito esforço se perdeu aqui, ele quebrou tudo”, diz.

A Polícia Militar foi acionada por populares na terça-feira e compareceu ao local, mas Ricardo já havia fugido: “Infelizmente o uso da droga não há o que fazer, esse é um caso de saúde pública, porém o incêndio provocado intencionalmente é crime e o autor pode ser preso por expor outras pessoas ao perigo de lesão grave ou até mesmo morte. No caso deste rapaz acredito a justiça possa considerar que ele não possui entendimento de seus atos e seu melhor destino seria uma internação compulsória”, explicou o 1º Tenente da Polícia Militar, Ronildo Lopes. 

O incêndio só foi controlado após a chegada do Corpo de Bombeiros de Arujá. Além das drogas, Maria diz que o filho toma remédio de uso controlado o que para ela já é motivo suficiente para que a secretaria Municipal de Saúde interne-o compulsoriamente. 

A diretora do Departamento de Assistência à Saúde de Santa Isabel, Fernanda Gabriela Zica diz que a internação em decorrência das drogas, só pode existir se o paciente aceitar a condição: “A internação compulsória só pode ocorrer por intermédio da promotoria e para isso a família precisa buscar amparo junto ao Fórum”. Fernanda informa que, em parceria com outras secretarias, prestará apoio a família, até que haja uma decisão judicial definitiva para o caso de Ricardo. 

 

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