Crise nacional de medicamentos atinge a região

Entre os medicamentos em risco de acabar estão a insulina para diabéticos e o tratamento para hanseníase (lepra)

Saúde Em 10/05/2019 22:53:54

por Érica Alcântara

 

Somente em Santa Isabel, aproximadamente 17 mil pessoas são atendidas mensalmente nas farmácias das Unidades de Saúde. Por estimativa, em Arujá são cerca de 22 mil pessoas e em Igaratá 2.500. A crise é nacional, milhões de pacientes do sistema público de saúde em todo o Brasil são afetados. Em alguns municípios os estoques estão tão baixos que os pacientes procuram remédios nas cidades vizinhas.

Em Santa Isabel, a secretária de Saúde Estela Santana diz que a falta de abastecimento das medicações de responsabilidade do Governo do Estado, e outras do Ministério da Saúde, já refletiu diretamente na assistência prestada aos pacientes. “Principalmente aqueles que utilizam o serviço da saúde mental, pois neste setor a maioria dos medicamentos é fornecida pela FURP (Fundação para o Remédio Popular), que desde agosto de 2018 entrega os remédios com atrasos”, lastima.

Estela afirma que a Prefeitura de Santa Isabel deu início a compra dos medicamentos a um custo inesperado de aproximadamente R$230 mil. “São vidas que necessitam dos remédios básicos e a falta deles pode ocasionar danos sem medida. Mas este é um gasto que originalmente não esperávamos”, diz a Secretária.

A Secretaria de Assuntos Jurídicos está a par da situação, Dr. Valesca Cassiano diz que o município solicitará judicialmente o ressarcimento desses gastos, uma vez que não estava previsto no orçamento.

Em Arujá a secretaria de Saúde afirma que até o momento o abastecimento local não foi afetado. “Aguardamos quatro medicamentos que já foram requisitados e estão no cronograma de entrega: Furosemida 40mg; Metoclopramida 10mg cp; Sertralina 50mg cp e Sulfato ferroso 40mg cp”, diz.

“Não há como precisar o número de pacientes afetados pela falta de medicamentos, pois os médicos substituem as receitas com remédios ainda disponíveis na farmácia, mas que ofereceram a mesma eficácia para o tratamento”, diz a secretária de Saúde Carmen de Araújo Pellegrino.

Diferente de Igaratá, em que o trabalho de fumacê (de combate ao Aedes Aegypti) foi afetado pelo desabastecimento, em Arujá e em Santa Isabel as prefeituras garantem que o serviço continua normalmente. 

Em Igaratá o inseticida utilizado no fumacê já acabou e, como é um produto importado, ainda não foi resposto pelo Ministério da Saúde. A estimativa, segundo a secretaria de Saúde Igaratense é que o produto volte a ser entregue somente em setembro. “Nosso atendimento de pacientes que necessitam de medicamentos de alto custo já foi afetado”, lamenta o secretário Fábio de Carvalho Prianti.

Até o fechamento desta edição a secretaria de Estado da Saúde não retornou os questionamentos enviados.

Ministério diz

O Ministério da Saúde garante que, desde janeiro, se esforça para regularizar o abastecimento de medicamentos. Muitos processos não foram iniciados no tempo devido e, por isso, as entregas estão ocorrendo de modo intempestivo.

“Medidas emergenciais também estão sendo adotadas para garantir o abastecimento imediato, como remanejamento de estoques e antecipação da entrega de medicamentos por laboratórios contratados”, afirma o MS.  

O Tribunal de Contas da União (TCU), e demais órgãos de controle, acompanham a compra e as ocorrências de distribuidoras que assinaram contrato com o Ministério da Saúde e não cumprem os prazos de entrega.