Crise na fronteira

por Roberto Drumond

Crônicas Em 22/02/2019 22:50:09

Estou longe de entender o que se passa na cabeça do presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, quando decide fechar a fronteira entre aquele país e o Brasil e, a mesma atitude com relação à fronteira com a Colômbia.

Em ambos os casos o seu objetivo conforme ele próprio define, é impedir a entrada da ajuda humanitária consideradas, por ele, pretexto para a invasão americana a seu país. Até mesmo parlamentares de países europeus foram proibidos de desembarcar em Caracas e convidados a se retirar da Venezuela.

Quando os venezuelanos abandonavam o seu país, Maduro não levantou uma palha sequer para impedir como se comemorasse o fato de a migração forçada estivesse simplesmente reduzindo o índice de desemprego na Venezuela. Mas quando se trata de oferecer alimentos e medicamentos à sofrida população, fecha simplesmente a fronteira aliviando, aí sim, a carga social do governo de Roraima espremido pelos imigrantes.

Vi uma foto feita no ano passado em que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, se refestelam em um dos mais caros restaurantes da Turquia. Certamente ele deve ter ido ao encontro de seu aliado Recep Tayyip Erdogan que, em janeiro desse ano, retribuiu a visita e assinou acordos comerciais e reconheceu a eleição agora contestada por todo o mundo. Venezuela já vivia plena crise.

Enquanto mais de 50 países reconhecidamente democráticos do mundo repudiam Maduro e apóiam o seu principal oponente, Juan Guaidó, Nicolás busca apoio dos governos que são conhecidos pela truculência e pelo modo ditatorial de governar. Parece que Maduro desconhece que suas ações, além de infringir sofrimento ao povo venezuelano, promovem Guaidó e fazem dele o salvador da pátria. 

Enquanto Maduro espera que os países que ele chama de marionetes dos Estados Unidos (Brasil e Colombia) invadam a Venezuela justificando o emprego de seus exércitos na defesa territorial, Guaidó cresce perante a opinião pública venezuelana e mundial. Ontem, foi ele quem divulgou a notícia confirmada posteriormente pela secretaria de saúde de Roraima da ocorrência de duas mortes e 15 feridos em conflito entre soldados venezuelanos e uma comunidade indígena que queria manter aberto o caminho para a ajuda humanitária brasileira.

Intensificar o conflito a ponto de uma guerra, ninguém acredita que seja possível. É mais provável um conflito interno no país vizinho do que ações bélicas entre países especialmente entre o Brasil. O temor de quem entende é que Maduro se refugie na Amazônia venezuelana e lá estabeleça uma ação de guerrilha que, como na Síria e no Paquistão, não acaba nunca.