Crise Hídrica pode ser pior que a de 2014

A quantidade de chuva que caiu nesta semana, ainda não foi o suficiente para reverter a situação crítica dos reservatórios do estado de São Paulo e região corre o risco de viver nova crise hídrica

Cidades Em 03/08/2018 19:51:36

por Bruno Martins

Depois de quase 90 dias de tempo seco e de calor intenso para este período do ano, os primeiros dias de agosto trouxeram de volta para a região da Grande São Paulo a tão esperada chuva. Mas especialistas alertam que o aumento da entrada de água nos reservatórios do Estado, ainda não é o suficiente: “A chuva não pode levar embora a ideia de que não corremos o risco de vivermos uma nova crise hídrica, pois essa possibilidade ainda existe sim. Os reservatórios estão com níveis drásticos e já era para estarmos em estado de alerta há muito tempo”, diz o engenheiro agrônomo, Juarez Vasconcelos, representante da região no Comitê de Bacias Hidrográficas. 

Os últimos dados divulgados pela Agência Nacional de Águas (ANA) indicam que a quantidade de água que entrou no Jaguari aumentou de 7m³/s para 24m³/s até terça-feira, 31/07. Porém, a vazão, quantidade de água que sai do reservatório, é ainda maior do que o volume que entra, 28m³/s. “A situação do reservatório é crítica, estamos com 35% de volume útil, o mesmo nível de setembro de 2014, auge da última crise hídrica. A diferença com a realidade atual é que, naquela época, a água do Jaguari era mandada apenas para o Rio de Janeiro e hoje possui duas vazões, mandamos 8 mil litros de água por segundo todos os dias para o reservatório Atibainha, o que ajuda a acelerar ainda mais a queda do nível em nosso reservatório”, explica Juarez.

De acordo com o Climatempo, a chuva que caiu sobre a região entre quinta-feira, 02/08, e sexta-feira, 03/08, foi de aproximadamente 35milímetros (mm) e variou entre fraca e moderada. A previsão é de que, na próxima semana, mais chuva caia sobre a região. 

Para Juarez só um trabalho sério de conscientização e investimento em divulgação e publicidade pode diminuir um pouco o estrago que a crise ainda pode trazer tanto na economia quanto para áreas da saúde dos municípios no entorno da represa: “A população precisa saber que nada está normalizado, a crise está aí e é preciso tratar a conscientização da população, se necessário fazer racionamentos e principalmente reduzir perdas das tubulações quebradas da Região Metropolitana de São Paulo”, aconselha.   

O que dizem os responsáveis 

O Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) informou que a outorga concedida a Sabesp é para serviços de abastecimento público, e tem validade de dez anos. O DAEE informou que desconhece usos irregulares no reservatório Jaguari: “A fiscalização para coibir essas possíveis práticas, de uso da água sem autorização é feita a partir de denúncias”, disse. Os telefones do DAEE são (11) 3293-8261/8262/8385.

Questionada a Sabesp não quis se pronunciar a respeito do uso da água do Jaguari, alegando ser de responsabilidade sobre a entrada e saída de água do DAEE, da ANA e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Até a publicação desta matéria a ANA e o ONS não se manifestaram.