Criando meninas

Por Camila Britto

Crônicas Em 16/10/2020 20:41:53

Antes mesmo de você finalizar a leitura desse texto, ou de terminar de tomar seu café, quatro mulheres estarão sofrendo algum tipo de violência doméstica em nosso país. No mesmo período de horas em que você completa sua jornada de trabalho, ou que você desfruta de uma boa noite de sono, uma mulher está sendo morta, deixando para trás uma história, uma família, seus sonhos, e acima de tudo, seu direito de viver.  

Esses são números assustadores, mas a realidade é ainda mais fatal, pois mais de 50% das mulheres escolhem não denunciar seus agressores, assim como fez a mulher agredida com socos nessa semana em Ilhéus.

E por que as mulheres se calam?

O primeiro e mais mencionado motivo é o medo. Mas não podemos falar desse sentimento de forma simplista. O temor que a mulher sente vai além do medo do agressor, mas é também um medo de sentir vergonha, de não ter condições de se sustentar financeiramente, de ser julgada por seus familiares e amigos, de ouvir absurdos, e o pior de tudo: medo de não ser capaz de viver sozinha.

Considerando todos esses sentimentos, não é difícil entender que a mulher que vive uma relação abusiva sofre de grandes faltas emocionais, e de uma dependência e insegurança excessivas, tornando-se alvo fácil para indivíduos manipuladores, agressivos e sem escrúpulos.

Conhecemos algumas políticas públicas e ações do governo para lidar com a problemática da violência doméstica. Mas o que podemos fazer em um plano individual, dentro de nossas casas, para proteger meninas e mulheres desde pequenas?

A resposta está numa criação segura e com boas referências de relacionamentos. Parece simples, mas exige grande maturidade e podemos resumir essas necessidades da seguinte maneira:

•Trabalhe sua autoestima: faça elogios referentes não somente à aparência, mas a sua personalidade e comportamento;

•Incentive a autonomia e liberdade: mostre que você acredita no potencial dela e dê espaço para suas escolhas e preferências, sempre respeitando o outro e a si mesma;

•Seja um exemplo: nenhuma dessas sugestões surtirá efeito se você não conseguir colocar esses comportamentos no SEU cotidiano. Para os relacionamentos amorosos, a base que ela terá será a relação de seus pais e cuidadores, por isso o exemplo é tão valioso;

Uma menina que se sente segura e amada, se tornará uma mulher forte e muito mais capaz de se defender e de detectar relações que a oprimem. Da janela da infância, podemos enxergar um futuro muito melhor!