Covid-19 é a principal causa de morte na região

Seguindo a crescente nacional, em sete meses a Covid-19 já matou mais do que qualquer outra doença de causa natural ou violenta na região, conforme os dados ilustrados nas tabelas

Saúde Em 09/10/2020 19:50:36

Reportagem: Bruno Martins

Sete meses após o primeiro óbito confirmado de Covid-19, o Brasil pode chegar neste final de semana a triste marca de 150 mil mortes em decorrência da doença. Nunca na história do país uma epidemia matou tanto em tão pouco tempo. E seguindo a crescente nacional, a região também sofre com essa progressão de mortes diárias. Desde o início oficial da pandemia, o novo coronavírus já matou em Arujá e Santa Isabel mais do que câncer, infarto ou qualquer outra morte natural e ainda supera em mais de 10 vezes as mortes violentas registradas em 2019.

Os números, são dos cartórios de registro civil das cidades, onde são lavrados oficialmente os atestados de óbitos, e foram confirmados pelas secretarias de Saúde dos municípios. O balanço leva em consideração o período de janeiro até ontem, mas analisa principalmente os últimos sete meses, quando deu início oficial a pandemia no Brasil e na região. 

Santa Isabel: Covid-19 mata duas vezes mais que outras mortes naturais 

Santa Isabel foi a primeira cidade da região a registrar, no final de março, uma morte por infecção do novo coronavírus. De lá para cá a cidade já soma 68 óbitos desta natureza. Os números superam em duas vezes mais as mortes por causas respiratórias e até as cardíacas registradas desde o início deste ano e ainda é 17 vezes maior que todas as mortes violentas registradas em todo o período do ano passado na cidade. 

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que o Covid-19 foi no auge da pandemia, em meados de junho, a principal causa de morte na cidade, mas hoje já passou a ser superada pelas mortes por doenças do aparelho circulatório, sendo essa a epidemiologia usual mais comum de óbitos nos últimos anos. 

Para o médico Dr. Luís Silva, que trabalha na linha de frente do combate ao Covid-19 em Santa Isabel, a pandemia é algo assustador e ainda é devastador: “Já se passaram sete meses e ainda registramos uma média diária nacional em torno de 700 óbitos, apesar de estarmos numa fase de decréscimo das mortes no município, não podemos de maneira alguma negligenciar as medidas de cuidados, principalmente nesta fase de retorno das atividades cotidianas”, aconselhou. 

Arujá: Covid-19 já matou mais idosos do que o câncer e as doenças do aparelho circulatório

A primeira morte por Covid-19 em Arujá foi registrada em 2 de abril, seis meses depois, já são 85 óbitos em decorrência no novo coronavírus. Na cidade essas mortes já superaram, três vezes mais, as do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e mais que o dobro do total de mortes por infarto, registrados de 1º de janeiro até ontem. O total de mortes por coronavírus é hoje 14 vezes maior que o número de mortes por acidente de trânsito registradas na cidade em 2019. A Secretaria afirma que hoje o coronavírus é ainda a principal causa de morte na cidade. 

Desde o início as infecções por coronavírus tem vitimado fatalmente cada vez mais os idosos e isso não é diferente em Arujá. Hoje, segundo a secretaria Municipal de Saúde, ela é a principal causa de morte neste público, dos 85 óbitos por Covid-19, registrados até a última quinta-feira, 68 tinham mais de 60 anos. 

Os números superam as mortes por neoplasias, proliferação anormal de células, que podem acarretar em algum tipo maligno de câncer. Segundo os dados da Secretaria 48 pessoas com mais de 60 anos morreram desta enfermidade neste ano e outros 60 idosos morreram por doenças do aparelho circulatório.  

Ao analisar os números, o médico generalista Dr. Lucas Filipe Santiago Silva explica que dificilmente as mortes por doenças cardiovasculares eram superadas antes da Covid-19, por qualquer outra enfermidade sejam em países desenvolvidos ou não: “Hoje é notório o quanto as mortes por Covid-19, se distanciaram em sua maioria, das outras mortes naturais como AVC e infarto, por exemplo e isso é em várias cidades do Brasil, o que demonstra ainda mais a força desta doença”, disse.  

Para o médico: “É possível que ainda tenhamos mortes por coronavírus, mesmo após a vacinação, mas acho muito improvável que ela se mantenha como maior causa fatal daqui alguns anos como está sendo agora. Mas vale reforçar, só o distanciamento social e uso correto de máscaras são, por enquanto, as maneiras mais eficazes de se evitar novas infecções e consequentemente novas mortes”, finaliza.