Confirmado caso de dengue em Igaratá

Terrenos pertencentes à prefeitura podem ser criadouros do mosquito Aedes aegypti

Saúde Em 09/03/2013 11:38:11

No dia 26 de fevereiro, a secretaria de Saúde de Igaratá obteve a confirmação de que uma moradora do Bairro Jardim Panorama foi diagnosticada com dengue. Embora a prefeitura já tenha confirmado que, em relação ao mesmo período do ano passado, cresceu no município cerca de 80% a incidência da larva do mosquito transmissor da doença, o Aedys Aegypti, algumas áreas públicas preocupam moradores que as consideram criadouros do inseto.

Segundo assessoria de imprensa, a igarataense não contraiu a doença no município e como já recebeu o tratamento médico adequado tanto no Pronto Atendimento Municipal, quanto na Santa Casa de Misericórdia de Jacareí, passa bem. “A secretaria de Saúde alerta a todos os munícipes para que redobrem a atenção quanto a locais onde possam acumular água, e, assim facilitar a proliferação do inseto”, diz.

A Vigilância Epidemiológica informa que intensificou as ações de combate à doença, inclusive, “solicitou apoio ao SUCEN (Superintendência do Controle de Endemias) de São José dos Campos, para realizar uma força-tarefa a fim de eliminar focos do mosquito em bairros próximos ao centro da cidade”, salienta a assessoria de imprensa. 

De acordo com a secretária de Saúde, Tatiany Oliveira, a dengue é um problema cuja solução depende de toda a sociedade, e as ações isoladas, não são suficientes para combater a doença. “É preciso que cada cidadão ajude, evitando o acúmulo de água parada, seja em casa ou no trabalho”, salienta.

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço

Moradores reclamam que terrenos da própria prefeitura apresentam condições propícias para proliferação de larvas do Aedys Aegypti. Em janeiro, o vereador Benjamin de Lima visitou o Centro de Triagem Municipal, localizado no Bairro Alto e verificou a imensa quantidade de materiais depositados ao ar livre, tais como: pneus, capacetes e móveis, acumulando água parada. “Solicitei que tomassem providências no local, mas a prefeitura mantem os materiais espalhados pelo terreno”, lamenta Benjamim. 

Caso parecido ocorre no Centro Esportivo, localizado no centro da cidade, onde a piscina inutilizada está com água parada e suja. Benjamin também visitou o local e mais uma vez alertou a administração “para que tome providências urgentes e fiscalize os terrenos públicos, pois não é só a população que deve tomar os cuidados básicos”, destaca.

O vereador aproveitou a reunião que teve com a Secretária na semana passada e questionou as ações do setor sobre um imóvel particular no Bairro Parque Alpina, pois o local armazena dezenas de pneus empilhados ao ar livre. 

Tatiany informou que a prefeitura tomou todas as providências sobre esta ocorrência e a Vigilância Epidemiológica desde junho de 2012 possui armadilhas próximas ao local, “ao contrário do Porto, no Parque Alpina não foram detectadas larvas positivas do mosquito transmissor da dengue”. 

Por sua vez, o proprietário do imóvel informou à prefeitura que possui licença junto à CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), para armazenar os pneus no local, e esses são recolhidos e encaminhados para uma empresa de reciclagem.

Contudo a CETESB afirma que não tem nenhum registro de empresa localizada em tal endereço e nem de reclamações de moradores vizinhos acerca do armazenamento de pneus que seriam encaminhados para reciclagem. Ressaltou ainda que atividades dessa natureza não são licenciadas pela CETESB. “É importante que os órgãos da prefeitura local verifiquem se a empresa está regularmente constituída conforme a legislação municipal. Caso se trate de uma atividade não licenciada, é essencial acionar a Vigilância Sanitária, considerando que o armazenamento de pneus pode se constituir em foco de proliferação do mosquito transmissor da dengue”, informa a Cetesb.

Segundo o assessor de imprensa da prefeitura, o ex vereador Carlos Alexandre, “não existe legislação no município que permita a prefeitura multar pessoas que mantém criadouros de mosquitos transmissores de doenças em suas propriedades particulares”, diz.

De acordo com a secretaria Estadual de Saúde, quando o município não tem autonomia pela ausência de uma legislação específica, pode entrar com um mandato na justiça para intervir no local privado.