Conclusão óbvia

por Roberto Drumond

Crônicas Em 10/05/2019 22:56:10

Quem se deu ao trabalho de acompanhar o desenrolar da sessão da Câmara de Santa Isabel na quarta-feira passada pode observar que dois públicos distintos se fizeram representar na plateia. No início dos trabalhos a maioria dos presentes apostava na condenação na prefeita Fábia Porto. Na medida em que a leitura das mais de novecentas páginas avançava, o plenário ia se esvaziando e, com o cair da noite, outro público chegava: funcionários da Prefeitura.

Muito vinham para cumprir o protocolo. Era visível em seus semblantes o cansaço do dia somado à perspectiva de ter de aguardar o final da novela que, ao longo da leitura dos mais de dois quilos de papel, tornava as pálpebras mais pesadas.

Os vereadores, mesmo percebendo o cansaço do público insistiam em repetir frases. Diversas vezes falavam o que já havia sido lido incontáveis vezes. Assim determina o protocolo jurídico. Reiteram-se incansavelmente argumentos e detalhes que apenas aumentam a monotonia do processo.

A preliminar ocorrida na véspera quando público e vereadores se enfrentaram no grito não tinha possibilidade de se repetir. A presença maciça da Polícia Militar na entrada do Legislativo indicava a disposição de fazer o debate em clima de paz. E mesmo que em alguns momentos um ou outro vereador inflamasse o tom de voz, logo era repreendido e o murmurinho do público prosseguia entre risos e bocejos.

Para a maior parte das pessoas ficou claro que o autor do resultado pode ter sido o vereador Reinaldo, mesmo que involuntariamente. Na condição de presidente da Comissão Especial de Inquérito que levantou os elementos da denúncia, ele foi imprudente e ineficiente. Seu trabalho foi superficial não trouxe nenhuma materialidade ao que se pretendia chamar de crime.

Quando a Comissão Processante assumiu a missão de concluir os trabalhos tinha em mãos apenas suspeitas. A CP, como os juízes, tem como objetivo julgar os autos. Por essa razão necessitam de provas e testemunhos. Se eles não existem no decorrer da análise, não há o que julgar. E foi isso que o vereador Márcio encontrou. Por uma questão de convicção pessoal e filosófica ele entendeu a Prefeita como culpada, destoando dos outros dois membros da Comissão que apresentaram suas conclusões ao fim das quase oito horas de trabalho.

Pau que nasce torto morre torto, confidenciou o vereador Márcio Pinho aos amigos. O processo nasceu torto e só permite conclusões de natureza pessoal, nada objetiva. Em resumo: quem deveria condenar (a CPI) somente conseguiu confundir e absolver. O assunto agora passa a depender unicamente da Justiça. E certamente, ela será justa, tal como a história!