Compaixão Isabelense

História de um povo que ajuda até os desconhecidos

Cidades Em 07/06/2019 22:56:12

por Érica Alcântara

Cerca de mil reais em dinheiro, vestuário e sapato. Em menos de 72h o povo isabelense respondeu a um pedido de ajuda, vindo de um jovem internado na Unidade de Pronto Atendimento – UPA de Santa Isabel e conseguiu, com doações anônimas, mandá-lo ao encontro de seu destino.

Em nossas redes digitais encontramos elogios e críticas, a história daquele jovem que partiu levando consigo a própria história. Mas como julgar a compaixão que arrebatou o coração de todo aquele que, identificando-se com a dor do outro, tentou de algum modo e, na medida do possível, amenizá-la com alguma oferenda?

A pauta poderia ser o menino, mas não é. A novidade é a doação em si, de todos os rostos anônimos que, desprendidos da necessidade de reconhecimento, mostraram-se capazes de ajudar até o desconhecido.

Para o filósofo Arthur Schopenhauer (1788/1860) a compaixão é a única motivação genuinamente moral. “Toda boa ação totalmente pura, toda ajuda verdadeiramente desinteressada, que, como tal, tem exclusivamente por motivo a necessidade de outrem, é, quando pesquisada até o seu último fundamento, uma ação misteriosa, uma mística prática, contanto que surja por fim do mesmo conhecimento que constitui a essência de toda mística propriamente dita e não possa ser explicável com verdade de nenhuma outra maneira (...). Por isso designei (...) a compaixão como o maior mistério da ética”.