Comerciantes reprovam República do Lazer

Empresários que possuem comércio no centro de Santa Isabel, entre as praças Fernando Lopes e Bandeira, reprovam o fechamento da Av. República para a realização do projeto “República do Lazer”

Economia & Negócios Em 10/11/2017 23:15:43

por Bruno Martins

Nove em cada dez comerciantes que possuem estabelecimentos na Av. República, centro de Santa Isabel reprovam a realização do projeto República do Lazer. De acordo com eles, o evento fecha um trecho da Avenida para a prática esportiva e cultural, mas desde sua primeira edição, faz as vendas caírem de 30 até 50%. Em outros casos, há inclusive empresários que desistiram de abrir seus comércios aos domingos por conta do evento. 

Se por um lado o República do Lazer tornou-se uma opção de diversão a moradores e turistas, por outro, o fechamento da principal Avenida da cidade causou transtornos e prejuízos para os que possuem comércio no trecho fechado. Numa pesquisa realizada pela reportagem, nove a cada dez estabelecimentos comerciais, que abrem aos domingos, e estão no trecho entre as praças Fernando Lopes e Bandeira, reprovam o evento. 

O prejuízo maior está nos estabelecimentos que vendem comida, insumos e remédios, nestes o prejuízo chega a 50%. A gerente de uma loja de vestuário, declara que em domingos comuns consegue vender de R$800 a R$1.000, porém nos domingos de evento, a loja não vende absolutamente nada: “Aí temos que correr durante a semana para tentar suprir a meta que não alcançamos no domingo. Não só a República do Lazer, mas todos os tipos de eventos acabam atrapalhando a rotina de quem tem comércio no centro”, garante. 

Para Roberta Medici, gerente de uma farmácia, os eventos que acontecem na Av. República precisam ser revistos: “Talvez se fechassem só uma pequena parte da Avenida ou que deixassem aberta para que os clientes que quiserem vir até a farmácia ou algum outro estabelecimento consiga fazer isso com mais comodidade. Dificilmente um cliente que procura uma farmácia, está em boas condições de saúde para deixar seu carro estacionado em um outro quarteirão e vir andando até a nossa loja. É preciso pensar em acessibilidade quando se pretende fazer eventos como este”, salienta.

Alunser Jonnes é gerente de uma loja de sapatos, de acordo com ele, em um domingo comum a loja consegue fazer cerca de R$6.000 em venda, esse valor cai para menos de R$2.000 nos dias de República do Lazer: “Se ainda tivesse público, mas não tem, chega uma certa hora do dia que a Avenida está fechada para o carro, mas não agrega sequer um pedestre. Nossa loja fica aberta aos domingos até às 14h e com uma queda de mais de 30% nas vendas, aí temos que correr contra o tempo para garantir o pagamento de nossos 27 funcionários”, diz. 

Valdemir Cazarini, é comerciante em Santa Isabel há dez anos e vende acessórios para a casa como produtos de cama, mesa e banho. Há meses ele desistiu de abrir sua loja aos domingos depois que viu as vendas caírem drasticamente com o fechamento da Avenida para atividades culturais: “Embora a Prefeitura realize o evento só uma vez por mês, a gente nunca sabe quando vai acontecer o República do Lazer, antes avisavam com antecedência, hoje não fazem mais isso, então desisti de abrir aos domingos”, disse. Com a época de festas de final de ano chegando, Valdemir pretende voltar a abrir sua loja aos domingos. Para ele a Prefeitura poderia pelo menos rever o horário de realização do evento que ao invés de começar às 9h passasse a ter início às 14h.  

Dos dez entrevistados, apenas Márcio Arruda que abre seu restaurante aos domingos aprova a realização do evento na principal Avenida da cidade. Para ele, a atração contribui para que as famílias consumam em seu estabelecimento, mas defende que a Prefeitura reveja um pouco suas atrações: “Falta opção de coisas para serem feitas no dia de República do Lazer, na primeira edição houve bastante atrações, mas nas últimas não teve absolutamente nada, é preciso melhorar isso e passar a ofertar coisas que atraiam mais o público”, aconselha.     

Prejuízo para os Feirantes 

O projeto República do Lazer mudou também a rotina dos feirantes que aos domingos vendem produtos orgânicos na Praça Fernando Lopes: “Nos dias de evento eu levo menos da metade de produtos que eu costumo levar para vender aos domingos, ainda assim volto para a casa com a maioria da mercadoria. Isso é prejudicial demais para nós que dependemos da agricultura para a nossa renda familiar”, diz Sakai Uracawa.    

A maioria dos comerciantes entrevistados garantem já terem protocolado suas reclamações junto a Ouvidoria da Prefeitura, mas desde então aguardam por uma resposta que nunca chega. Assim como eles, a reportagem questionou a assessoria de imprensa sobre as reclamações, mas até a publicação desta matéria ninguém se manifestou. 

ACISI em defesa do comércio

Em nota a Associação Comercial e Industrial de Santa Isabel (ACISI) reconhece que toda a prática de lazer e cultura deve ser ofertada a população: “A ACISI está disposta a ouvir todos os comerciantes e recomenda a Prefeitura para que transfira o evento para o Parque Municipal, no Bairro Brotas, que dispõe de todo o espaço suficiente para a realização de tais manifestações culturais e necessita ser urgentemente ocupado por essas práticas, a fim de não tornar-se ponto de usuários de droga e alvo de vândalos”, finaliza a nota.    

A Programação Cultural da Prefeitura para o mês de novembro, prevê a realização da República do Lazer para o próximo domingo 19/11 das 9h às 16h.