Chuva, alagamento e prejuízos na região

Semana de chuvas torrenciais provocam enchentes, alagamentos e prejuízos em Santa Isabel e Arujá

Cidades Em 07/02/2020 23:52:58

Por Érica Alcântara

A chuva de verão que até então havia devastado cidades em Minas Gerais e no Espírito Santo, esta semana chegou em São Paulo, provocando uma enxurrada de alagamento, torrentes de lamaçal, desbarrancamentos e desmoronamentos que impreterivelmente atingiram Arujá e Santa Isabel.

Diferente do município arujaense, que informa que não há áreas de risco que comprometam a segurança de residências, ou estradas que tenham ficado intransitáveis, em Santa Isabel o desbarrancamento e o desmoronamento ocorridos nos bairros Vila Guilherme, Santíssimo e Torre deixaram estas áreas em estado de atenção para a Defesa Civil, e uma parte dos mais de 600km de estradas rurais sucumbiram diante do grande volume de chuva.

Mais de uma centena de isabelenses acionou as redes sociais do Jornal Ouvidor para reclamar das estradas dos bairros Aralu, Chácaras Boa Vista, Cachoeira, Vila São Pedro, Jaguari, Chácaras Canadá, Jd. Eldorado, Jd. Novo Eden, Jd. das Acácias, entre outros, o Centro.

No Bairro Cachoeira, um trecho da Estrada do Jacaré despencou ladeira abaixo, abrindo uma cratera que consumiu metade da via, impedindo o trânsito de veículos como ônibus escolar. Somente neste trecho, a secretaria de Serviços Municipais trabalhou aproximadamente 12h de quinta-feira. “Paralelamente recuperamos estradas na Vila São Pedro e no Jaguari”, descreveu o diretor da Pasta David Inácio, por volta das 20. 

No Aralu na quinta-feira, 06/02, por volta das 17h, a Rua Ninho Verde quase desmanchou e dois postes caíram na Avenida Criolan depois que a enxurrada cavou as bases de sustentação. Os moradores ficaram sem abastecimento de energia e alguns sem internet por aproximadamente quatro horas. “O medo e a insegurança foram difíceis de suportar”, diz uma moradora.

Em Arujá, o Prefeito José Luiz Monteiro diz que a recuperação das ruas com a retirada do barro e das árvores que caíram é trabalho contínuo e ininterrupto da secretaria de Serviços. Ele destacou que o volume de chuva de segunda-feira, 03/02, foi excepcional pois em 2h choveu o equivalente a quantidade esperada para chover no período de cerca de sete dias. 

“Apesar de não termos uma Defesa Civil consolidada, a Prefeitura articulou agentes de todas as pastas para que trabalhem juntos nos momentos emergenciais, dentro das necessidades que surgiram, principalmente nos bairros que margeiam a Mogi-Dutra, que na terça-feira, foram os mais atingidos: Copaco, Vertentes, Jacarandás”, descreveu o José Luiz.

Para o Prefeito de Arujá, entre as possíveis causas dos alagamentos ele aponta três: a impermeabilização do solo, a ocupação do solo e as movimentações de terra. 

Para Fábia Porto, Prefeita de Santa Isabel, além das causas citadas pelo município vizinho, o Centro de Santa Isabel sofre com o entupimento da rede pluvial ocasionado pelo lançamento irregular de esgoto, lixo, inservíveis e até entulho nos cursos d´água. Na segunda-feira, 03/02, antes que do fim de tarde nebuloso, Fábia chegou a divulgar um vídeo na internet pedindo a colaboração dos moradores, para não jogarem lixo na rua.

Arujá garante que seu sistema da rede pluvial funciona, o Prefeito destaca que em 30 minutos as áreas alagadas já tinham escoado toda água. “Mas aqui também é comum encontrarmos lixo e inservíveis no caminho das águas, provocando obstrução na rede”.

Diplomacia

Com o alagamento quilométrico das avenidas João Manoel e Mario Covas, Arujá precisou notificar a prefeitura de Guarulhos, bem como a de Itaquaquecetuba devido ao rio Caputera, pois a água escoa até a divisa entre as cidades, mas o estreitamento do curso d’água provoca o retorno da mesma. “Sem conseguir passagem a água represada se acumula alagando ruas e avenidas importantes”, explicou José Luiz.

O Prefeito de Arujá destacou que solicitou junto a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) a autorização para realizar o desassoreamento e limpeza de rios, pois a municipalidade não tem autonomia para interferir em cursos d’água.

Fábia Porto destacou que para amenizar as enchentes promoveu desassoreamentos e, recentemente, conseguiu mais de um milhão de reais de repasses do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos) para canalizar um trecho do Ribeirão Araraquara.

Defesa Civil 

Uma vez que Arujá ainda não tem uma Defesa Civil constituída, todos os chamados estão sendo recebidos pela Guarda Municipal, pelo aplicativo 153, ou pelo telefone (11) 4655-1425.

Em Santa Isabel a Defesa Civil atendeu 21 chamados nos últimos sete dias. Para acionar a Defesa, no horário comercial das 8h às 17h disque para o telefone (11) 4657-1135, ou da Ouvidoria 24h pelo celular (11) 95569-7622.

A Defesa Civil recomenda que “as famílias que moram perto da encosta (barranco), que não tem muro de contenção, que providencie uma lona, cobrindo a encosta, evitando assim infiltração e risco de deslizamento. E qualquer sinal de perigo, acionar a Defesa Civil ou qualquer setor da Prefeitura, para que seja tomada as medidas necessárias de segurança”.

De acordo com o site da Climatempo, a previsão é de chuva até quinta-feira, dia 13/02.