CAPS uma realidade distante

O prazo para cumprimento do TAC termina amanhã dia 30/09, mas Secretário garante que atendimento psicossocial é feito nas unidades básicas de saúde

Saúde Em 28/09/2018 20:10:56

Na última semana a reportagem do Jornal Ouvidor esteve em contato direto com educadores que, diuturnamente, estão em contato com um grupo de grande fragilidade psicossocial: os jovens. Alguns depoimentos:

“Levamos a criança para atendimento psicológico e explicaram que não podiam fazer nada, pois a fila de espera é de 200 pessoas e nós voltamos para escola sem nenhuma orientação”.

“Chamamos por todas as unidades e entidades de referência, a criança está se cortando na escola. A mãe não sabe o que fazer. Por isso, elaboramos um dossiê e vamos recorrer ao Ministério Público”.

“Eu fui ao posto e me disseram que existe um grupo que se reúne para discutir problemas, mas eu não queria me expor no meio das pessoas. Queria ajuda, mas me mandaram embora sem qualquer encaminhamento”.

Durante reunião do Conselho Municipal de Saúde, o secretário da Pasta Cleber Vinicius confirmou que existe um TAC – Termo de Ajuste de Conduta, assinado entre o Município e o Ministério Público, que determina a instalação de um CAPS - Centro de Atenção Psicossocial em Santa Isabel até o dia 30/09/2018.

“Não é financeiramente possível, o CAPS custa cerca de R$630 mil, e isso equivale a quase toda a folha de pagamento da Saúde que custa R$700 mil. Sendo que o Governo Federal repassa para o CAPS cerca de R$30 mil”, disse Cleber.

O Secretário garantiu que o CAPS não faz falta no município, uma vez que todas as unidades básicas de saúde, supostamente, estão preparadas para receber pacientes portadores de transtornos mentais. “O psicossocial também é feito pelos enfermeiros e clínico geral que, se necessário, pode receitar medicamentos de uso contínuo ao paciente que já realiza um tratamento antigo. Somente o que é urgente é direcionado para o psicólogo”, disse.

A prefeitura não informa quantos psicólogos tem na rede, quantas pessoas aguardam na fila por atendimento, nem quantos profissionais estão dedicados exclusivamente para a saúde mental.