Caminhoneiros querem Diesel mais barato e sem impostos

Taxas tributárias como PIS/Pasep, Cofins e Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) encarecem Diesel e são fatores que causaram paralisação dos caminhoneiros

Política Em 25/05/2018 22:33:52

por Gabriel Dias e Érica Alcântara

 

A última alteração no preço do diesel levou os caminhoneiros de todo o País a paralisarem suas viagens instalando um caos a nível nacional. A greve dura uma semana e mesmo após reunião do governo Federal com representantes da categoria que prometiam o fim da paralisação, as manifestações continuam em todos os estados e no Distrito Federal. A greve não tem data para acabar.

O abastecimento de combustível foi o primeiro prejudicado em todas as regiões do País. Na área alimentícia, mercados já sentem a falta de mantimentos. Empresas da região trabalham em ritmo lento devido à falta de matéria-prima e a carência na entrega de seus produtos para os consumidores.

Em Santa Isabel e Arujá, as filas nos postos de gasolina se tornaram quilométricas. Até quinta-feira, 24, em Arujá, segundo a Associação Comercial e Empresarial (ACE), três postos de gasolina fecharam e dois operavam com abastecimento de álcool. Em Santa Isabel acabou em todos os postos álcool, gasolina comum e aditivada.

Os caminhoneiros pedem o reajuste nas taxas de impostos sobre o diesel. Para eles, a melhor manobra é zerar as taxas barateando o consumo do combustível e assim aumentando o lucro obtido por cada frete de viagem. Reclamam que a correção quase que diária dos preços dos combustíveis, manobra realizada pela Petrobrás, dificulta a previsão dos custos por parte do transportador. “Assim, o trabalhador negocia o preço do frete de uma carga para uma viagem de cinco dias por um preço, mas quando entrega o produto, o diesel reajustado já aumentou os seus custos reduzindo, e muito, o lucro do caminhoneiro. Tem gente que no final de uma entrega, somando os pedágios e o aumento do combustível, acaba pagando para trabalhar”, descreve João Pedro, 46.

Na quarta-feira, 23, a União se reuniu com representantes da classe, no entanto, não foi o suficiente. Para o Governo, a primeira saída foi pedir aos caminhoneiros que suspendessem a greve por 15 dias e o preço do diesel diminuiria em 10% por 30 dias, o equivalente a R$0,26 a menos no preço do diesel. A estratégia não agradou a todos os grevistas que ainda continuam parados nas rodovias Estaduais e Federais.

Após mais de seis horas de reunião com representantes da classe, na noite de quinta-feira, 24, o Governo Federal anunciou um acordo para 15 dias. Entre os pontos citados como acordados estão (1) a redução a zero da alíquota da Cide, em 2018, sobre o óleo diesel; (2) a redução de 10% no valor do óleo diesel a preços na refinaria, já praticados pela Petrobras, nos próximos 30 dias, com compensações financeiras da União à Petrobras; e (3) assegurar a periodicidade mínima de 30 dias para eventuais reajustes do preço do óleo diesel na refinaria.

O anúncio do Governo Federal não moveu uma palha. Na manhã de sexta-feira, 25/05, em Santa Isabel os caminhoneiros ficaram indignados com a suposição de que a greve foi suspensa.