Bate-papo na ETEC com Beatriz Pugliese

O projeto Biblioteca Ativa, liderado por professores e alunos recebeu uma convidada especial nesta semana, a bióloga Beatriz Pugliese

Educação Em 06/10/2017 20:06:38

 

Reportagem: Érica Alcântara

O projeto Biblioteca Ativa, liderado por professores e alunos recebeu uma convidada especial nesta semana, a bióloga Beatriz Pugliese participou na quarta-feira, 04/10, de um bate-papo com os estudantes da ETEC de Santa Isabel. Em uma sala cheia de alunos 80% confessou que já sofreu bullying ou se sentiu rejeitado por ser diferente, ou não se adequar aos padrões impostos pela sociedade.

Resumidamente, Beatriz timidamente disse: “Tenho 23 anos e marcas de nascença por todo o meu corpo que me tornaram uma pessoa única. Após 30 cirurgias, resolvi me aceitar e hoje se pudesse escolher nascer diferente, não o faria. O meu corpo é parte da pessoa que me torno a cada dia”, disse.

Apaixonada por natureza, amada por uma família que luta ao seu lado para que tenha uma vida sem qualquer restrição, Beatriz fala com naturalidade sobre a auto aceitação: “É algo que acontece com você e vem de dentro, você pode escolher amar quem você é. Até porque são as diferenças que nos revelam únicos e se elas não existissem, talvez eu nem estivesse aqui”, refletiu.

Quando nasceu a enfermeira disse para a mãe de Beatriz que ela não sobreviveria. “Meus pais são pessoas simples, imagina o susto que tiveram e o medo que sentiram”, diz. Mas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) a menina logo foi diagnosticada com nevo melanocítico congênito (um distúrbio das células da pele produtoras de pigmento), e através do Sistema Único de Saúde – SUS Beatriz realizou todas as cirurgias e ainda hoje faz todos os tratamentos necessários para manter a saúde da pele. 

Quando ficava no hospital, às vezes dois meses após as cirurgias que envolviam a retirada da pele boa da perna, seguido de enxertos em partes afetadas pelas pintas, Beatriz contava com os professores que mandavam as tarefas e a presença constante dos amigos que mantinham nas visitas as trocas de ideias e de conhecimento, por isso ela fala com gratidão das amizades que mantêm. “Para mim, a parte mais difícil era o isolamento provocado por não poder sair e ser criança como todo mundo”, lembra.

Se isso a tornou uma pessoa amarga? “De forma alguma”, respondem os estudantes estimulados a respeitarem ainda mais as diferenças que existem entre si.

Para Beatriz, é importante para o desenvolvimento pessoal de cada pessoa compreender que para ser feliz é preciso valorizar a vida que se tem. “E acreditar na própria capacidade de fazer do mundo um lugar melhor”, finaliza.