Aulas presenciais voltam em fevereiro de 2021

A medida foi publicada ontem em diário oficial do Estado, pelo governador João Dória. As aulas devem voltar em 1ª de fevereiro na rede estadual mesmo se pandemia avançar ainda mais

Educação Em 18/12/2020 23:20:29

Por Bruno Martins 

Uma semana após o Ministério da Educação autorizar aulas não presenciais até dezembro de 2021, o governador do Estado de São Paulo, João Dória afirmou e publicou em diário oficial ontem que: “São Paulo manterá o retorno gradual das aulas presenciais no início do ano que vem”. A medida prevê que as escolas permanecerão abertas nos 645 municípios do estado, mesmo se houver piora nos dados da Covid-19. 

As aulas devem voltar em 1º de fevereiro na rede estadual, mas já em janeiro as escolas deverão estar abertas para atividades presenciais e para atender os estudantes matriculados, que precisarem de aulas de reforço.  

Na rede básica, cuja responsabilidade pela administração das escolas é do poder municipal, o governo não deu nenhuma opção para as prefeituras analisarem a possibilidade responsável do retorno as aulas de acordo com as suas condições, mas garantiu que o reingresso dos estudantes a sala de aula deverá ocorrer de forma regionalizada, conforme critérios de segurança estabelecidos pelo centro de contingência da Covid-19.  

Usando como exemplo as cidades da região, caso Arujá, Santa Isabel e Igaratá, estejam nas fases vermelha ou laranja, consideradas as mais restritivas, do Plano São Paulo, as suas escolas da educação básica infantil e do ensino médio, que atendem alunos da rede estadual, poderão receber diariamente até 35% dos estudantes matriculados. Na fase amarela, as cidades ficam autorizadas a atender até 70% e na fase verde, até 100%. Os protocolos sanitários devem ser cumpridos em todas as fases.

O secretário Estadual de Educação, Rossieli Soares explicou que o plano de retomada das aulas atende todos os protocolos de segurança contra o novo coronavírus: “A escola não pode mais fechar. Neste momento de pandemia, as famílias precisam entender sobre o quanto é cada vez mais fundamental e importante ter os seus filhos na escola. Não ter as escolas funcionando está trazendo muitos prejuízos aos nossos estudantes. Precisamos optar pela nossa Educação”, destacou o Secretário. 

Histórico 

As aulas presenciais foram suspensas em todo o Estado a partir de março deste ano, como medida restritiva para implantação da quarentena que previa conter a propagação no novo coronavírus. 

No estado, o governo autorizou o retorno em outubro, mas deu às prefeituras autonomia para decidir se deveria ou não liberar a volta. Mas em setembro Santa Isabel e Arujá, já haviam decretado que apenas retornariam com as aulas presenciais em 2021. Meses mais tarde, Igaratá também oficializou essa decisão. 

“É preciso garantir vacina a toda comunidade escolar”, alerta especialista

Dados da consultoria em saúde Vital Strategies, mostra que de março a outubro mais de 6.300 menores de 10 anos foram hospitalizados no Brasil com síndrome respiratória aguda grave provocada pelo novo coronavírus. Isso representa menos de 1% do total de internações da pandemia, mas o contagio de crianças não é uma realidade distante e o que mais tem preocupado os especialistas é o que vem depois da recuperação. 

Em 24 de julho deste ano, o Ministério da Saúde passou a fazer o monitoramento da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) muito comum em crianças com idade pré-escolar. Trata-se de uma doença “multissistêmica” que possui amplo espectro de sintomas, como febre persistente acompanhada de gastrointestinais, com dor abdominal, conjuntivite, erupções cutâneas, edema de extremidades, hipotensão, dentre outros. 

Até outubro, o MS registrou 436 casos de crianças com diagnóstico para SIM-P, deste total, 34 foram a óbito. A maioria dos casos relatados ao MS, estavam acompanhados de exames laboratoriais que indicavam que essas crianças foram infectadas pela Covid-19 e em outros casos elas apenas tiveram vínculo com pessoas adoecidas pela Covid.

O médico especialista Dr. Luís Silva explica que a SIM-P é causada pelo contato da criança com o vírus da Covid-19 que ativa o sistema imunológico gerando uma síndrome inflamatória em diversos órgãos e que pode causar o comprometimento de uma série deles. “Quanto mais crianças expostas ao vírus, teremos mais menores contaminados e mais destes poderão evoluir para casos graves da doença”, alerta. 

Outro grupo que traz preocupação com a possível volta precoce das aulas, são os estudantes matriculados na rede que apresentam alguma comorbidade ou deficiência além dos matriculados no Ensino de Jovens e Adultos (EJA). A maioria dos matriculados no EJA, são idosos que por problemas sociais e outros fatores não conseguiram concluir os estudos no tempo regular. Na região, há cerca de 167 alunos matriculados nos ciclos letivos do EJA. 

“É impensável voltar as aulas sem termos uma vacinação ampliada a todos os grupos que compõe a comunidade escolar e não se trata apenas de professores e diretores, mas também as merendeiras, inspetores, faxineiros e aos alunos. Voltar as aulas antes disso é expor todos ao risco e consequentemente um aumento nos novos casos, afinal o vírus terá uma maior facilidade para circular”, explicou Dr. Luís.

Justiça pode barrar retorno das aulas 

Nesta quinta-feira (17), a Justiça deu o prazo de dez dias para que o governo do estado apresente o cronograma de retorno das aulas presenciais para o próximo ano.

Na decisão, também foi exigido que o governo esclareça se há previsão de inclusão dos trabalhadores da educação no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19.

Em nota a assessoria do novo governo da Prefeitura de Arujá, informou que pretende criar um grupo de trabalho especial, paritário com membros da Sociedade Civil e da Administração para discutir critérios e a forma da retomada segura das aulas na cidade.