ATÉ ONDE É PERMISSÍVEL PERMITIR?

por Camila Britto

Crônicas Em 04/05/2018 20:35:08

No consultório e na rua, em entrevistas e conversas casuais, sempre há quem busque na psicologia a resposta para muitas questões. Uma delas, sem dúvida uma das mais corriqueiras, trata de entender como é possível amadurecer emocionalmente. 

A resposta é simples, mas não tão simples que caiba em um texto com menos de 400 palavras, ou numa conversa de meia hora. Há muitos caminhos para uma mente mais sadia e equilibrada, e na terapia, você pode experimentar boa parte deles. 

Sendo muito superficial tentar descrever todas essas alternativas em poucas palavras, falarei não do que deve ser feito, mas do que pode ser evitado. 

Sem rodeios, tudo se resume em uma frase: Não aceite nada que não lhe caiba. Isso serve para roupas, palavras e relacionamentos. 

Essa premissa tem a ver com você não permitir nada menos que o justo e o satisfatório em sua vida. Resignar-se em relações ruins que geram sofrimento contínuo não é justificável em nenhuma hipótese, mesmo que você ame profundamente a pessoa que está envolvida nela. 

Não importa de onde vem o abuso, os maus tratos, a pressão psicológica cruel. Mesmo que venha de seus próprios pais, de amigos próximos, de um companheiro ou companheira, entenda que você não é obrigado a aceitar. 

A tendência de pessoas que permitem em sua vida situações penosas e miseráveis é que tão logo as coisas fiquem ruins, porque acredite, elas vão ficar, elas coloquem nas mãos de outrem a culpa por sua infelicidade. “Não tenho uma carreira porque meu marido me proibiu de trabalhar”; “Sinto-me incapaz pois meu pai me faz sentir assim com suas acusações e cobranças”; “Gostaria de cuidar mais da minha aparência, mas meu filho exige muito tempo de mim”. Esses são apenas exemplos rasos. 

 

No geral, instala-se uma situação de grande comodismo, onde quem permite as situações também se acostuma com elas, colocando a responsabilidade de suas frustrações no outro. É como receber marteladas, e procurar melodia nas batidas. É deixar para os outros a realização da tarefa mais importante da sua vida: ser feliz. Se há então, dúvidas sobre quais caminhos percorrer, tenha em mente esse conselho de alguém que sabe pouco, mas que sente muito: a responsabilidade por sua satisfação é intransferível, e alguém só poderá de fato te destratar, se você permitir e acreditar, no fundo, que merece essa desvalorização. Acredite ser digno de coisas boas, e coisas boas lhe acontecerão.