Aprendiz

Por Roberto Drumond

Colunas & Opiniões Em 11/11/2016 15:20:22

 

Dificilmente me arrisco a escrever sobre questões internacionais. Prefiro sempre optar por temas que nos afetam diretamente, contudo, essa semana não posso me furtar de comentar a eleição norteamericana que colocou, em dois poderes essenciais (o executivo e o legislativo), representantes do Partido Republicano, o mais conservador na democracia americana.

O principal marco dessa eleição foi a vitória inesperada de Donald Trump. Ele começou a sua fama no programa de TV “O Aprendiz”, colocando sua visão empreendedora a serviço do julgamento de outros empreendedores, definindo quem poderia continuar ou não na disputa. Dessa vez ele apagou a Hilary.

Em toda a sua campanha ele empregou um artifício com o qual foi capaz de iludir inclusive os institutos de pesquisa que davam como certa a vitória de sua concorrente. Ele fez da ameaça, da truculência seu principal instrumento de campanha. Com ela destroçou o próprio partido, alguns apoiadores de primeira instância e se impôs sobre a imprensa que apontou contra ele todas as armas, embora ele tenha se utilizado dela para se promover.

Diferente do Brasil as campanhas americanas não recebem dinheiro público. Partido e candidatos precisam bancar suas próprias campanhas seja com recursos próprios ou com apoio de pessoas ou empresas. Trump não teve problemas nessa área, ele se intitula milionário e agiu como tal, mas possivelmente sua campanha utilizou poucos recursos para ser veiculada na imprensa (exceto pelos anúncios em tevês, rádios, jornais e revistas). Sua principal ferramenta foi a exposição espontânea conquistada com suas ideias e propostas, para muitos, “malucas”.

De malucas não têm nada: ele usou a opinião pública americana para formular os seus discursos. O crítico e cineasta americano Michael Moore, quatro meses antes das eleições, o definiu como sendo o “coquetel molotov jogado contra os defensores da globalização”, responsabilizada, na opinião pública pelo desemprego de milhões de cidadãos que, afastados da lide política, preferem arriscar-se no que lhe parece “o menos pior”. E no caso, “o menos pior” foi Trump que prometeu empregos de volta, combate impecável contra os ilegais e o Estado Islâmico.

Trump foi eleito pela maioria silenciosa, aquela que teme revelar o voto nas pesquisas e que se mantém afastada das questões eleitorais e políticas. O voto facultativo permite essa definição que só aparece na apuração e é, nesse quesito, que fica claro quem elegeu Trump: 40% dos eleitores votou antecipadamente, sob o impulso das bravatas livrando-se das filas e percalços de última hora, foram 5% eleitores a mais do que o esperado, a diferença entre ele e Hilary.

Agora o mundo terá de aceitar o desafio do “Aprendiz de Presidente”.

 

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