AIDS AVANÇA NA TERCEIRA IDADE

Eles são 8,6% do total da população brasileira e com o uso, cada vez mais comum de medicamentos, levam uma vida sexual ativa. Na última década dobrou o número de ocorrências de HIV entre eles

Saúde Em 27/10/2017 22:58:28

Reportagem: Bruno Martins

 

Para quem acha que as doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) são uma realidade e exclusividade apenas para jovens que possuem vida sexual ativa e muitas vezes desprotegida, está enganado. De acordo com dados do Ministério da Saúde (MS) as DST’s estão cada vez mais presentes também na vida de idosos. Na região eles são minorias dos casos, mas as secretarias municipais de Saúde já registram casos positivos de HIV e Sífilis na terceira idade. 

Estudos demonstram que os idosos estão mais vulneráveis a infecções sexualmente transmissíveis e o motivo é a ausência do uso de preservativo. O número de casos de HIV, entre pessoas acima dos 50 anos dobrou na última década, já que atualmente cerca 80% dos adultos entre 50 e 90 anos são sexualmente ativos. 

De acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, cerca de 4% a 5% da população acima de 65 anos é portadora de HIV. Além da AIDS, outra doença que têm aumentado sua disseminação entre idosos é a Sífilis.

O departamento de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo divulgou os dados de casos confirmados de DST’s nos 645 municípios do Estado. O documento faz um panorama dos casos confirmados nos últimos 30 anos (entre 1980 a 2016). Neste período 251.133 pessoas morreram de HIV no Estado, deste total 6.985 eram pessoas com 60 anos ou mais. 

Analisando os casos por Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVE) Santa Isabel, Arujá e região do Alto Tietê registrou em 30 anos 10.499 casos de HIV. O GVE de Taubaté, responsável pelos municípios do Vale do Paraíba entre eles Igaratá, notificou 5.895 casos no mesmo período. 

O documento traz também o número de óbitos registrados na região entre os anos de 2000 a 2015. Em 15 anos de acordo com GVE de Mogi das Cruzes, 2.766 pessoas morreram de HIV. Na região do Vale do Paraíba, o número de óbitos, foi de 1.753. Em todo o Estado, 52.700 pessoas soro positivas morreram em 15 anos.

A sífilis é uma DST que o próprio MS já considerou em alta neste ano e decretou inclusive estado de alerta em todo o país. O documento do Estado pontua que entre os anos de 2007 a 2016, foram registrados 130.461 casos de sífilis, deste total 61% são pessoas do sexo masculino e 38% do sexo feminino, cerca de 15.439 são pessoas com 60 anos ou mais.    

Casos confirmados de DST na região

De acordo com dados da secretaria de Saúde de Arujá apresentados ao SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), o município registrou de 2011 a 2016, cerca de 160 casos confirmados de DST’s. As doenças variam de HIV, Sífilis congênita (transmitida da mãe para o bebê durante a gestação), sífilis latente e não especificada, além de casos de corrimento genital em homem e mulher, adquiridos após relação sexual desprotegida. A secretaria não quis divulgar os números de DST’s confirmados em 2017, mas informa que a faixa etária varia de 20 a 50 anos e que a maior predominância de casos confirmados ainda é em jovens. 

Nos últimos seis anos Santa Isabel registrou 82 casos positivos de HIV, deste total sete foram a óbito. A diretora de Vigilância em Saúde, Estela Santana, explica que a maioria dos casos é em jovens e adultos, mas há um número considerável de idosos no município com algum tipo de DST. Em 2016, a cidade notificou ao SINAN 76 casos de pessoas com alguma DST como HIV, sífilis congênita, latente e não especificada, além de corrimento cervical em mulheres e hepatites virais.

Igaratá registrou nos últimos três anos 26 casos de DST’s sendo eles HIV (04), sífilis (08) e Hepatites virais (14). No município a faixa etária de casos confirmados varia entre 10 a 39 anos. 

Os municípios se preparam para em dezembro, mês dedicado ao combate e luta internacional contra a AIDS, realizarem a campanha “Fique Sabendo”, que oferecerá testes gratuitos de HIV e sífilis, a fim de identificar novos casos positivos e encaminhá-los a tratamento imediato.