Afrânio Barreto e o Suicídio Histórico

Os registros de um historiador que diz que a Arujá é mais velha do que se imagina

Crônicas Cultura Em 11/06/2018 12:09:07

Reportagem: Gabriel Dias

 

O historiador, professor e escritor, Afrânio Barreto, procurou o Jornal Ouvidor nesta semana para dizer que o Poder Público de Arujá está cometendo um suicídio histórico ao comemorar 166 anos como aniversário da cidade. Afrânio já narrou em suas obras literárias a história de Arujá e de alguns dos bairros que a compõe. Com todas suas pesquisas, segundo Afrânio, a cidade estaria comemorando 438 anos.

Sentado à mesa de um estabelecimento comercial no centro de Arujá, o historiador faz questão de voltar ao passado com imagens, datas antigas e dados documentados em seus livros que contam a origem da cidade. Ele fala que o que se comemora é uma data de freguesia e não de existência “por que Arujá existe há muito mais tempo”, diz. 

“O Poder Público celebra o ‘surgimento’ de uma freguesia, quando naquele lugar tem uma Paróquia local e ela serve como referência para aquele povo. Mas, nada disso tem a ver com a real fundação da Cidade”, explica Afrânio. 

Segundo o Historiador, Arujá pertencia a Aldeia de Ururaí, que hoje é São Miguel Paulista. “No século 17 tudo isso aqui ainda era uma aldeia. Temos registros da nossa cidade a partir dos anos 1600”, explica Afrânio, acrescentando: “Não há nenhum marco de fundação que comprove que Arujá tem 166 anos. O Poder Público passou uma borracha na nossa história”, lamenta.

Em relação a festividade de 166 anos, Afrânio se revolta e diz: “Isso é menosprezar o trabalho de um historiador. Meu livro está aí para comprovar isso. Tenho em casa um acervo de 12 mil imagens, centenas de documentos e vários jornais da época que contam a vida desta cidade e mesmo assim ainda patinam no erro histórico”, lastima.