A primeira professora de gerações

Ela tem uma voz delicada e um jeito gentil de falar. Gestos comedidos e palavras bem pronunciadas são característica desta simpática Professora de 87 anos que na última quinta-feira (15/10 – Dia do Professor)

Educação Em 16/10/2020 20:23:57

Ela tem uma voz delicada e um jeito gentil de falar. Gestos comedidos e palavras bem pronunciadas são característica desta simpática Professora de 87 anos que na última quinta-feira (15/10 – Dia do Professor) comemorou em família o seu dia. Além dos três filhos ela alfabetizou mais de duas mil crianças. – Acho que alfabetizei mais da metade das crianças de Santa Isabel. Hoje estão aí, são juízes, delegados, advogados, engenheiros, dentistas, Nenê Simão e até a prefeita Fábia. Ela foi a minha aluna!

Nascida em Matão, chegou a Santa Isabel porque na cidade onde nasceu e estudou não havia emprego para todas as 50 professoras que se formavam todos os anos no curso “Normal” (nome que se dava ao atual curso de Magistério). Formada em 1951, dois anos depois foi destacada para lecionar na única escola da cidade: a Major Guilhermino Mendes de Andrade.

Na quinta-feira, no meio da tarde chuvosa, a professora Geracy Ambrozina Maccagnan de Camargo, se lembrou dos 32 anos de magistério, 28 deles só para o primeiro ano. Ela conta que no início dava aulas no “Casarão” que era uma extensão da “Major”. – Na hora da merenda tínhamos de levar as crianças para o Major porque no casarão não tinha refeitório, nem espaço para o recreio, conta com os olhos vivos e alegres.

Uma de suas primeiras tarefas quando chegou na cidade foi visitar o bairro da Boa Vista, em Igaratá que era, ainda, um distrito isabelense. Lá o fazendeiro (Dito Cunha) havia cedido a sala de sua casa para montar uma escola. Geracy viu as medidas, os recursos disponíveis e constatou que, de fato, seria bom ter a escola que acabou sendo criada no ano seguinte.

Sem muito esforço e muita alegria ela conta que seus alunos aprendiam a ler e escrever com o método que ela mesma criou. Usava música, histórias e comemora com brilho nos olhos esverdeados que quatro meses depois de entrar na escola, os estudantes ganhavam o primeiro livro: “estavam alfabetizados”. Animada, dá um exemplo de seu jeito de ensinar as vogais, e a voz bem afinada canta: - Sou pequena e sou magrinha e de mim ninguém se esqueça, pois trago sempre um pingo bem por cima da cabeça!”.  

A Professora lembra que um dia chegou uma mãe e disse que estava trazendo a filha que, meio adoentada não queria perder a história que eu havia prometido contar no dia anterior. A filha Luciana ressalta que todos os dias a mãe chegava em casa contando o que havia acontecido nas salas de aula. Entre as histórias, a do menino que não era aluno, mas as vezes ficava no corredor prestando atenção à aula. Um dia, ao querer saber quem era, descobriu que era vizinho da Servente e que, em casa, repetia tudo o que ouvia na Escola. – Coloca ele na minha sala, ordenou, severa.

Ao saber da reportagem em homenagem à Professora de tantas gerações de isabelenses, emocionada, a Prefeita Fábia Porto disse que, se não fosse a pandemia isolando as pessoas poderia até visitar sua primeira professora: - Ela é inesquecível para mim. A dedicação dela, o carinho dela, estão gravados em minha memória e é através dela que gostaria de homenagear todos os professores!