A morte pela vaidade

por Camila Britto

Crônicas Em 18/10/2019 22:19:26

Ele é único, especial, digno de admiração e de facilidades que os outros não merecem. Exagera quando elogia a si mesmo, na mesma medida em que desmerece as capacidades alheias; está sempre afirmando sua superioridade, mesmo que de maneira sutil. Em muitos casos, pode ter uma atitude manipuladora.

Em psicologia, essas características estão relacionadas ao transtorno de personalidade narcisista.

Esse tipo de comportamento, onde o indivíduo acredita piamente que tudo gira em torno dele, é comum em crianças pequenas. Com o desenvolvimento psíquico e emocional, todos nós deixamos o egocentrismo de lado e passamos a enxergar o outro.

Esse tipo de maturidade psicológica é essencial para viver bem em sociedade.

Porém, não é o que acontece com o narcisista.

Ele cresce, e permanece acreditando que é uma pessoa diferenciada, que não precisa pedir desculpas, que os outros não estão à sua altura, que as regras não valem para ele e que quem está ao seu lado deve ser eternamente grato por sua companhia.

Receber críticas é como um tiro à queima roupa para o narcisista, e ele guardará essa ferida para se vingar de algum jeito.

Na mitologia, Narciso morre pela vaidade, por seu amor patológico a si mesmo e pela incapacidade e enxergar o outro.

Na vida real, Narciso pode fazer vítimas criando relacionamentos abusivos e destruidores da autoestima. “Narciso acha feio o que não é espelho”. Acha feio e destrói, sem remorso ou pesar.

Mas Narciso também nos ensina: para tudo existe um contraponto, e até o amor por si mesmo, quando controlado pelo orgulho e prepotência, pode ser fatal.