A História não se muda

por Roberto Drumond

Crônicas Em 11/05/2018 23:04:06

A legislação americana estabelece que, de acordo com a natureza das informações, os relatórios do corpo diplomático e dos serviços de segurança sejam levados ao público depois de algumas dezenas de anos. Fazem isso para aprender com o passado de modo a evitar os mesmos erros no futuro.

Na última quinta feira veio à luz o relatório elaborado por um diretor da CIA em 11 de abril de 1974. Nele o autor narra que em primeiro de abril (sempre o primeiro de abril) daquele ano, o então presidente Geisel discutiu a política de repressão adotada pelo governo à época. Segundo o documento, Geisel tomou conhecimento das execuções feitas pelas forças de segurança e recomendou ao chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações), Gal. João Batista Figueiredo que mantivesse a política, mas que ficasse restrita aos “subversivos perigosos”.

Ontem diversos generais se manifestaram contestando o documento da CIA. É natural que façam isso. Não há como explicar como as Forças Armadas brasileiras permitiram tanta influência dos Estados Unidos na política da ditadura, fato historicamente negado, mas sempre evidenciado tal como a política de execução levada a efeito naquele período.

A divulgação da correspondência da CIA em nada está contribuindo com a história ou com a realidade brasileira, especialmente nesse período de turbulência. A influência americana no Brasil é sabida, documentada e negada desde a independência daquele país que se tornou, a partir daquele instante, em exemplo a todas as colônias européias. Atesta essa realidade a influência exercida pelos americanos na inconfidência mineira.

Negar essa influência, no passado ou no presente é negar que no período de Geisel,  segundo levantamento feito pelo G1 com base no relatório da “Comissão Nacional da Verdade”, houve 98 pessoas mortas ou desaparecidas. Defender a figura de Geisel, buscando manter a sua imagem de moderado, de comandante do processo de abertura política no país, é até plausível para a história do militarismo no Brasil, mas não se pode dizer o mesmo com relação à história de nossa democracia.

Nós brasileiros, em especial os militares, precisamos aprender a conhecer e aceitar a história e não a tentar mudá-la segundo as nossas conveniências. É preciso aprender que conhecendo o passado compreendemos o presente e evitaremos repetir os mesmos erros no futuro. 

As eleições estão aí!