A gente e o agente

por Roberto Drumond

Colunas & Opiniões Em 16/05/2014 11:42:46

 

Na última quinta-feira um agente de trânsito estacionou o seu veículo oficial em uma vaga e, ali perto, em uma oficina de motocicletas, passou pelo menos uma hora e meia em conversa com os amigos. Enquanto ele trocava de assunto em assunto, o relógio corria levando com ele o suado dinheiro dos impostos que pagamos.

Condená-lo não faz sentido, afinal o que podem fazer os nossos agentes de trânsito senão administrar o estacionamento de veículos nas áreas da zona azul gerando uma condição esdrúxula em que o poder público paga o salário de funcionários de uma empresa privada. E dali, da oficina de motos onde o agente conversava com os amigos, era perfeitamente possível fiscalizar as vagas existentes nas proximidades.

Há algumas semanas o executivo isabelense enviou para ao legislativo o projeto alterando a lei que criou os agentes de trânsito dando-lhes a função única de fiscalizar o uso das vagas de estacionamento. O projeto devolve aos agentes isabelenses as funções preconizadas no Código Brasileiro de Trânsito. No exercício pleno de suas funções os agentes poderão, entre outras funções, orientar o tráfego de veículos, interditar vias em casos de necessidade, organizar o fluxo diante de escolas, igrejas e locais de eventos e, diante da afronta à legislação, multar.

Naturalmente há entre os vereadores aqueles que vão se pronunciar contra a adequação da lei em vigor. Condenam a lei com o argumento de que dar o poder de multa aos agentes de trânsito será criar uma indústria para a arrecadação de recursos para o município. Sob tal pretexto unicamente demagógico e eleitoreiro, preferem a inexistência de leis que organizam a vida da cidade, que favorecem ao desenvolvimento social, político e econômico do município. Na verdade são personagem de nosso folclore político que, embora membros do legislativo cuja função é criar leis, que preferem a cidade sem lei, sem vigilância, sem organização com fundo legal. Temem, segundo comentam em rodas mais íntimas, a pressão dos eleitores multados para que usem a influência política para a supressão de eventuais multas. Assim, melhor não existir multas que desafiem o seu prestígio político.

Haverá também, sem dúvida, os vereadores que irão apoiar a lei e, até mesmo, propor emendas que a torne mais eficientes. São esses os vereadores que merecem o crédito ao trabalho que desenvolvem na Câmara. Demonstram, com suas ações, que pretendem o uso de dinheiro público utilizado devidamente e não em conversas de oficinas mecânicas.