À ESPERA

por Roberto Drumond

Crônicas Em 11/10/2018 21:57:14

Na semana passada chamei a atenção para a importância da escolha de senadores e deputados como meio de conter o radicalismo que poderá advir do presidente eleito no segundo turno. O resultado das urnas mostraram uma condição nova para o país: No senado, apenas 8 das 54 vagas disputadas serão ocupadas por candidatos reeleitos. Na Câmara, a renovação passa de 50%, demonstrando que a população quer mudanças. 

O cenário mostrado na composição do Congresso após a eleição mostra que as legendas partidárias mais tradicionais foram para o espaço, uma “troca de guarda” como se referem os estudiosos da política. Nessa mudança o PSDB, que por mais de 20 anos representou o antipetismo, perdeu espaço para partidos menores mais identificados com a direita. O PT continua sendo o partido com maior força política dentro do Congresso com 56 deputados, o PSL de Jair Bolsonaro emplacou 52 representantes.

Esse resultado faz com que os demais partidos, especialmente os pequenos que cresceram com essa eleição, assumam papéis mais destacados na definição dos rumos do país.

A responsabilidade por essa substancial mudança é exatamente a polarização do processo eleitoral. A meu ver ambos os candidatos a presidente foram eleitos pelo medo. Quem votou em Bolsonaro (46% dos votos válidos) tem medo da violência urbana, anseia a ordem. Não a ordem unida, como querem fazer crer alguns, mas o país com mais respeito às leis, porque somente respeitando as leis é que pode existir democracia.

Os 29% dos eleitores que escolheram Haddad o fizeram com medo de Bolsonaro, porque esse foi o teor da campanha do PT. O medo de decisões que afetem a legislação que hoje conduz o país, como as necessárias reformas previdenciária, tributária e política.

Bolsonaro alavancou-se na lava jato, nas denúncias dos crimes cometidos por personagens ligadas ao PT, enquanto Haddad usou o impeachment da Dilma, o discurso da injustiça e a fraqueza de Temer para ganhar simpatizantes.

A solução do segundo turno vai estar mais dependente da capacidade dos dois opositores de caminhar para o centro do que de seus discursos ideológicos. Bolsonaro garantiu que não vai fazer alianças, já o PT é especialista nesse tipo de negociação.