A Educação

por Ednilson Toledo

Colunas & Opiniões Em 16/04/2019 11:17:23

 

Em cerimônia comemorativa de 100 dias de governo, no início deste mês, o presidente Jair Bolsonaro assinou 18 projetos e decretos para alcançar suas 35 metas prioritárias. No entanto, apesar da enorme retórica em volta da necessidade da aprovação da reforma da previdência, existe uma outra área de extrema importância para a nação brasileira que parece esquecida no atual governo, a educação.

Inicialmente, Bolsonaro nomeou Ricardo Veléz para o Ministério da Educação (MEC). Formado em filosofia e teologia na Colômbia, Velez não possuía experiência em gestão pública, e isso foi percebido a duras penas. Em uma comissão na Câmara dos Deputados, o então despreparado ministro recebeu uma verdadeira aula de planejamento e de gestão pública da novata deputada Tábata Amaral (PDT-SP). A deputada, moradora da Vila Missionária, bairro pobre de São Paulo, filha de uma diarista e um cobrador de ônibus, formou-se em ciência política e astrofísica em Harvard nos Estados Unidos, e sempre declarou que a educação mudou sua vida e, por isso, faz dela sua bandeira prioritária neste primeiro mandato.

Depois de muitas idas e vindas no MEC, faltando 3 dias para completar os 100 dias de governo, Jair Bolsonaro anunciou a demissão de Ricardo Velez e nomeou seu sucessor, Abraham Weintraub. Economista com mestrado em administração, o novo ministro atuou por mais de 20 anos no mercado financeiro; ou seja, não é alguém da área da educação. Na cerimônia de posse de Abraham, Bolsonaro afirmou: “Queremos uma garotada que comece a não se interessar por política”. O que mostra a orientação a ser seguida pelo MEC.

Na mesma linha de raciocínio, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL -SP) – filho do presidente – utilizou suas redes sociais para questionar o legado do educador brasileiro Paulo Freire. Conhecido internacionalmente, Paulo Freire está entre as referências mais citadas nos trabalhos da área de humanas no mundo, segundo um levantamento do Google Scholar. Seu método parte da reflexão dos alunos sobre a sua realidade e suas condições de vida, tornando as experiências dos próprios alunos como parte fundamental do processo pedagógico.

Dessa forma, é triste ver como uma das principais áreas do governo está ainda estacionada em questões do século passado, da época da guerra fria. Argumentos de doutrinação e de guerras culturais são utilizadas para justificar erros e malfeitos do ministério. Passou da hora do governo levar a sério a educação, nomeando pessoas preparadas para a área, independentemente do campo ideológico. Afinal, como bem nos ensina Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

 

Ednilson Toledo

 Sociólogo

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