A dor do esquecimento

Vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que a deixou acamada, desde então Ângela e a família sofrem com uma sequela ainda maior, a do descaso do poder público

Saúde Em 08/01/2021 21:39:25

Por, Bruno Martins

“Eles fazem pouco caso da situação de minha mãe. E eu tive que aprender sozinha, na marra a como cuidar dela. Até hoje não sabemos se estamos cuidando da maneira correta, mas é o melhor que podemos fazer”. Quem fala é Derci de Fátima, 47, enquanto desabafa, Derci enxuga a lágrima de um choro solitário que escorre pelo rosto de sua mãe que, mesmo impossibilitada de seus movimentos, paralisados em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ainda mantem seus sentimentos ativos.

Ângela Benedita Cabral, 76, sofreu o quarto AVC no final de julho do ano passado, a família então a levou para a Santa Casa de Misericórdia de Santa Isabelonde ficou um período internada, porém acabou contraindo Covid-19. Para tratar a Covid, Ângela foi transferida da Santa Casa para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e lá ficou por mais de um mês e meio. A alta médica dada no final de agosto a levou de volta para a casa. 

- O médico nos prescreveu alguns medicamentos indicando que buscássemos no posto de saúde do bairro e disse que uma equipe de médico e enfermeiro  viria nos visitar e auxiliar pelo menos a cada 15 dias, e foi o que fizemos”, explica a amiga da família, Ana Paula Augusto, 44, que ajuda nos cuidados. 

A casa da família está situada na Rua 7 de Setembro, Bairro Monte Serrat, a pouco menos de 900 metros da UBS Prefeito Ilário Dassiê. De setembro para cá, a equipe médica da unidade visitou a paciente apenas três vezes. 

A família também sente a demonstração de má vontade toda vez que precisa fazer uso do transporte público ambulatorial para conseguir levar e trazer Ângela nas consultas médicas: “Eles já entram em casa reclamando do nosso espaço, dos quatro degraus que precisam descer e subir com ela na maca e inclusive já disseram que se um dia chegarem aqui e não tiver ninguém para ajudar a retirá-la da ambulância, eles voltam com ela para o hospital. Todas as vezes precisamos recorrer aos vizinhos para ajudar os motoristas a retirá-la da ambulância”, diz Derci. 

Ela e Ana contam que conseguiram, através de doações, fraldas, alimentos e até dinheiro para a compra de alguns medicamentos, mas os insumos estão acabando. Elas vão procurar o Prefeito Dr. Carlos Chinchilla para explicar a ele a situação da família e ver como a secretaria de Assistência e Promoção Social pode ajudá-los.

Responsável pela administração dos Postos de Saúde de Santa Isabel, entre eles a UBS do Brotas, a Sociedade Beneficente Caminho de Damasco não retornou aos questionamentos da reportagem.  

Você pode conferir a história completa de Ângela numa reportagem em vídeo, disponível no Canal do Jornal Ouvidor no Youtube.