A DOENÇA DA PRODUTIVIDADE

Por Camila Britto e Matheus Valério Barbosa

Crônicas Em 06/09/2018 21:41:34

A gente ouve o tempo inteiro dicas para ser mais produtivo, mais motivado e sobre como se realizar ganhando muito dinheiro e tendo o emprego dos sonhos. 

Mas a gente não ouve as pessoas dizerem que o trabalho dos seus sonhos pode se tornar seu maior pesadelo. Sim, isso pode acontecer mesmo que você ame o que faz, mesmo que em muitos momentos tenha tido prazer em desempenhar sua função, e que seu salário seja alto e te permita desfrutar dos privilégios merecidos. 

Esse esgotamento caracterizado por oscilações no humor, dificuldade de concentração, níveis altos de estresse, desmotivação e pensamentos suicidas tem nome, e se chama Síndrome de Burnout. O transtorno costuma aparecer em pessoas que passam por longos períodos de esforço excessivo no trabalho com pouco tempo para recuperação e falta de investimento na saúde mental. 

A Síndrome de Burnout pode acometer qualquer um, mas é muito comum em professores, médicos, enfermeiros, bancários e policiais. O Burnout é tão devastador que é tratado como um problema de saúde pública em países de primeiro mundo. 

No Japão, o governo se desdobra para desenvolver medidas que promovam a saúde mental, e reduzam o alto número de suicídios, ataques cardíacos e doenças que invalidam o colaborador justamente por conta dos níveis desumanos de trabalho. Um caso célebre que chocou o país foi o de uma jovem chamada Matsuri Takahashi que se matou após fazer mais de cem horas extras de trabalho. Os suicídios motivados pelo excesso de trabalho são tão comuns no Japão, que a prática ganhou até um nome, Karoshi. 

Não há outro caminho pra a prevenção da Síndrome de Burnout senão a promoção da saúde mental e da qualidade de vida. E isso, como é sabido, pode ser feito de muitas maneiras, investindo em terapia, momentos de descanso, praticas meditativas, no esporte, entre outros. O governo e as empresas têm também o dever de fomentar tais ações, valorizando a saúde do colaborador. Nos casos em que o Burnout já foi diagnosticado, pode ser necessário um afastamento de suas funções e tratamento psiquiátrico e psicológico. 

Do ponto de vista jurídico, o trabalhador acometido de tal moléstia pode, e deve, procurar o respaldo de um profissional do Direito. Além da possibilidade de afastamento previdenciário e até mesmo de aposentadoria por invalidez, nos casos mais extremos, caso comprovado que o empregador concorreu para o desenvolvimento da doença, é possível perseguir uma indenização pelos danos morais, materiais e pensionamento do trabalhador pelo período da impossibilidade de desenvolvimento de atividades laborativas. O risco do empreendimento jamais pode ser repassado ao empregado, devendo o empregador, que aufere lucro com a exploração da mão-de-obra do trabalhador, arcar com as consequências deletérias que o exercício de sua atividade pode causar.