A Dívida

por Roberto Drumond

Crônicas Em 26/01/2018 18:33:59

Depois que esse jornal publicou o volume assustador da dívida de Igaratá, um vereador se arvorou em explicar, na Tribuna e nas redes sociais, a natureza da execução que retira dos cofres públicos perto de 82% do orçamento municipal de 2018.

Suas explicações, no entanto pouco somam ao que foi publicado pelo jornal. Na verdade, em seu alentado trabalho ele demonstra a preocupação em atribuir os erros aos sucessivos prefeitos que, desde 1995, permitiram que o volume da dívida chegasse ao atual estágio.

Esqueceu o Vereador que cabe também à Câmara fiscalizar e, independentemente de quem seja o prefeito ou a que partido pertença, a dívida é do município e acabará sendo paga pelo cidadão comum, que trabalha e paga os seus impostos e que ficará prejudicado caso a Justiça não promova uma revisão da sentença.

A reportagem de OUVIDOR limitou-se a apontar a existência da dívida e, na semana seguinte trouxe outros valores que elevaram o risco de que as dívidas superem o orçamento, dessa vez ainda sem a sentença de execução como a de 34 milhões.

Não há nada errado em uma administração pública fazer dívida, cumpridas as exigências legais. Mesmo os países de primeiro mundo possuem dívidas enormes e é impossível a qualquer gestor gerenciar uma prefeitura sem contrair dívidas. Faz parte do processo, a questão é o tratamento que se dá à dívida e às suas conseqüências. 

No caso de Igaratá os prefeitos que desde 1995 empurraram com a barriga a dívida que se mostrava líquida e certa tiveram a cumplicidade da Câmara que, omitindo o seu dever de fiscalizar nada fez para impedir que o fermento dos juros incidisse tão fortemente sobre o montante a ser pago.

Louve-se aqui a atitude do Prefeito Celso Palau que defendendo a transparência na administração decidiu trazer a luz tudo o que está sob o tapete da Prefeitura, conscientizando os cidadãos para a realidade que é a condição financeira e econômica do município. A dívida já em fase de execução é impagável sem prejuízo do cidadão que pode se ver privado de serviços essenciais caso essa cobrança não seja revertida. De nada adianta o vereador dizer que a omissão foi de tal pessoa ou de tal partido, trata-se de unir forças para superar o desafio de reverter essa sentença, buscando argumentos e alinhando meios de evitar o pior para a população.

Se houve erro dos prefeitos, o legislativo é co responsável uma vez que deixou de exercer a sua missão de fiscalizar os atos do executivo independentemente da bandeira partidária. O que não se pode é creditar apenas a um ou a outro uma responsabilidade que é de todos.

Se alguém deve se indignar é o cidadão. Ele é o lesado nessa sucessão de falhas!