A demolição das instituições

Por Luis Carlos Corrêa Leite

Colunas & Opiniões Em 12/05/2017 16:39:31

Os fatos que veem ocorrendo no Brasil desde as manifestações de 2.013, quando milhões de pessoas foram às ruas, certamente mudarão a nação. Mas o que deve preocupar a todos é esse processo de demolição das instituições, que parece não ter fim. A princípio, acreditava-se que a chamada operação “Lava Jato” teria por finalidade desvendar irregularidades na Petrobrás. Mas a coisa tomou tal magnitude que, como no bordão adotado há anos pelo jornalista Boris Casoy, parece que o Brasil está sendo passado a limpo.

Resta saber se a democracia irá resistir a tantas investidas contra os poderes da República. Ninguém pode negar que o combate ao estado de coisas então vigente - com a entrega de setores estatais vitais da economia a partidos políticos como moeda de troca a apoio no Congresso -, precisava ter um fim. E nesse ponto a ação do Ministério Público Federal constitui um inestimável serviço à nação e à própria democracia. Mas, queiramos ou não, é preciso sim separar atos de corrupção que implicaram em enriquecimento ilícito pessoal dos agentes envolvidos nas doações para os partidos políticos. Doações sempre existiram e continuarão a existir, oficialmente ou através do “caixa dois”. E obviamente irão fazer doações empresários com interesse na vitória deste ou daquele candidato. Ninguém imagina que um cidadão comum, que trabalhou durante anos para fazer uma poupança, irá sacá-la para doar a candidatos. E mais, esse processo de nomeações para cargos públicos em troca de apoio político também é uma forma pouco ética de agir, mas que continua a ser adotada à vista de todos. Veja-se o processo que está ocorrendo na votação das chamadas reformas da legislação previdenciária e trabalhista. Até as entidades sindicais, tidas como de esquerda, irão ficar quietinhas se a contribuição sindical, com proposta de extinção, for mantida.

Agora, vemos que, como ocorre nas brigas em campo de futebol, as pancadas passaram a serem dadas entre os próprios agentes públicos encarregados da investigação e julgamento dos fatos. Está sobrando até para o Supremo Tribunal Federal, com a revelação de relações indiretas pouco republicanas entre seus Ministros e os investigados. E o troco veio com a revelação de que o próprio chefe da Procuradoria Geral da República tem uma filha que trabalha na defesa de interesses de empresas altamente comprometidas com o processo de corrupção que vem sendo desvendado. Outros Ministros conseguiram a nomeação política de filhas para altos cargos no Judiciário, constando inclusive que fizeram campanha para tanto. A situação é preocupante.