70 anos de Direitos

por Roberto Drumond

Colunas & Opiniões Em 14/12/2018 22:49:44

Comemoramos recentemente os 70 anos da Declaração dos Direitos Humanos (10/12). Esse é um tema recorrente no Brasil principalmente quando se menciona as relações entre policiais e bandidos, defendendo o que se estima como sendo a parte mais frágil desse duelo: o bandido.

Diz a declaração agora septuagenária que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. Contudo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na Síntese de Indicadores Sociais (SIS) de 2018 os números que mostram que o país tem uma enorme dívida para com a sociedade que nele vive: uma dívida em direitos humanos.

Entre 2016 e 2017, em apenas um ano, o Brasil passou a ter quase dois milhões de pessoas a mais vivendo em situação de pobreza. Em 2016 eram 52,8 milhões de pessoas nessas condições e, no ano passado subiu para 54,8, um crescimento de quase 4%, ou seja 26,5% da população total do Brasil, estimada em 207 milhões.

Na visão mais grave, a população em condição de pobreza extrema saltou de 13,5 milhões para 15,3 milhões. Ou seja, 7,4% dos brasileiros estavam abaixo da linha de extrema pobreza em 2017, enquanto em 2016, quando a população era estimada em cerca de 205,3 milhões, esse percentual era de 6,6%.

Para ser considerado situação de extrema pobreza, o IBGE utiliza os parâmetros do Banco Mundial, que classifica os que dispõem de menos de US$1,90 por dia (aproximadamente R$140,00 por mês), e de pobreza quem recebe menos de US$5,50 por dia ou seja, R$406,00 por mês. Em 2017 eram 9,7 milhões de brasileiros vivendo com renda domiciliar inferior a R$85,00 por mês, em 2016 eram 8,2 milhões, ou seja, aumento de 18,3%. Em 2017, eram 26,9 milhões de pessoas vivendo com menos de um quarto do salário mínimo, ou R$234,25 (salário mínimo era de R$937), em 2016, eram 25,9 milhões.

Na média nacional, os 10% mais ricos ganhavam 17,6 vezes mais do que os 40% mais pobres, ou seja: se você ganha aproximadamente R$6.629, está entre os 10% mais ricos contra quem ganha R$376 (valor que inclui os programas sociais). 

Com esses números quero mostrar que a questão dos direitos humanos tem de passar primeiro pela restauração da dignidade do brasileiro, para depois oferecer aos que preferem a vida do crime, o respeito e o conforto que reivindicam.