15 anos em Santa Isabel, história de Magistratura

Comemoração entre amigos e família

Perfil Em 01/06/2019 00:24:20

por: Érica Alcântara

 

 

Para Dra. Cláudia Vilibor Breda, os anos que comemora em Santa Isabel representam o carinho que sente pela cidade que lhe trouxe o amadurecimento profissional, emocional e pessoal. Em seu discurso na câmara municipal, no dia 24/05, durante a comemoração pelos 15 anos de magistratura no município, agradeceu aos amigos presentes e principalmente à mãe Teresa de Jesus que, notoriamente emocionada, admirava a filha e sua trajetória.

Ter vínculo com a cidade não é para ela uma dificuldade. Ao longo dos anos criou laços e passou de certo modo a fazer parte da cultura, e isso permitiu que Dra. Cláudia identificasse as fragilidades e fortalezas locais de modo que sua imparcialidade se mantém intacta, mas a proximidade humanizou ainda mais o judiciário. “Continuo imparcial para julgar como quando os rostos ainda eram anônimos. Mas conhecer as pessoas também fortaleceu a rede de apoio à criança e ao adolescente, onde sou juíza desde o início e onde mantenho meu coração”, diz.

Dra. Cláudia sente nos isabelenses o aconchego de um povo acolhedor e sonha minimizar os processos e dar prestação judiciária mais célere. Entre os casos emblemáticos os que envolvem crianças são os que doeram em sua alma, a história da criança que o padrasto quebrou o cabo de vassoura na cabeça, “hoje graças a Deus está reabilitado”, e o menino vítima de tortura, uma perpetuação do sofrimento que nada se justifica.

Quando chegou em Santa Isabel, Dra. Cláudia tinha uma perspectiva de que a justiça deveria ser mais engessada e o juiz não poderia expressar emoções. “Tinha medo de dizer o que sentia e perder a imparcialidade, mas ao longo destes anos entendi que a pessoa pode ouvir algo que, muitas vezes, pode ser mais importante que a própria sentença. O juiz representava mais medo que respeito, fruto de uma frieza que não inspira, mas eu prefiro por conciliação unir mais as pessoas que distanciá-las”, diz.

A filha de Teresa

Cláudia é filha da dona de casa Teresa de Jesus e do contador Rubens (falecido). Quando criança brincava de educar bonecas e trabalhar. Teresa lembra que na escola era a defensora dos menos favorecidos, monitora dos esquecidos e vendia rifas de ações beneficentes.

Rubens era o ídolo dos três filhos de Teresa, e ela conta isso com notória admiração e respeito. Dos pais, diz que Cláudia herdou a lealdade, a autenticidade e o esforço. “Nenhuma conquista veio sem luta e sem estudo”, destaca.

Quando adoeceu, Teresa conta que por um ano Cláudia largou os estudos e neste período foi a “doninha de casa”, a enfermeira e a referência para a irmã mais nova. “Ela cuidou de mim, da família toda”, recorda.

Anos mais tarde, Rubens adoeceu. Cláudia já era mãe e havia passado pelos três meses de espera das filhas prematuras saírem da UTI Neonatal. Na época, a filha Juíza conciliou o trabalho, a família e as visitas diárias ao hospital.

Quando a morte chegou e Deus levou Rubens, Teresa lembra que Cláudia se vestiu de coragem e manteve-se de pé, enquanto o restante da casa esmorecia. “Ela dizia que foi feita a vontade de Deus, que fizemos tudo que podíamos e vivemos tudo que nos foi permitido. Organizou o velório e todos os detalhes da despedida. Nos amparou”, lembra.

Para a filha, Teresa diz: “Você é meu orgulho, minha companheira, minha amiga. Parabéns por esta data, considero você uma pessoa extraordinária, excelente mãe, filha e amiga de seus irmãos”, finaliza.