100 dias de governo por Padre Gabriel Bina

Em reunião aberta com a comunidade e entrevista exclusiva para o Jornal O Ouvidor, o prefeito de Santa Isabel, Padre Gabriel Bina, avalia o trabalho realizado e fala das mudanças que pretende para o município.

Política Cidades Em 13/04/2013 13:20:17

Repórter: Érica Alcântara

Na segunda-feira, dia 08, em reunião aberta a comunidade na Emef. Oscar Ferreira de Godoy o Prefeito de Santa Isabel, Padre Gabriel Bina, junto de sua equipe de governo apresentou um comparativo entre os três primeiros meses de gestão de 2012 com o de 2013. Pessoalmente apresentou as conquistas de desafios enfrentados por cada setor, respondendo aos questionamentos levantados pelos líderes comunitários que marcaram presença no encontro.

Já na quinta-feira, em seu gabinete, Padre Gabriel concedeu uma entrevista exclusiva à Roberto Drumond e Érica Alcântara, este encontro está registrado em vídeo que em breve será disponibilizado no site www.jornalouvidor.com.br

Jornal Ouvidor: Em agosto do ano passado, quando as pesquisas indicavam a preferência do eleitorado o então prefeito Hélio Buscariolli abriu a administração municipal para os candidatos do PV. Qual a surpresa encontrada ao assumir a administração em janeiro?

Pe. Gabriel:Não houve grandes surpresas, o desafio maior é enfrentar a morosidade do sistema, da própria da burocracia. Quando estamos fora achamos que dá para fazer as coisas com mais rapidez, mas quando você está dentro percebe que a coisa é lenta por natureza.

J.O.: Quanto havia no caixa da prefeitura quando a assumiu?

Pe. Gabriel:Pouco mais de R$3 milhões e meio livre para investimentos.

J.O.: Este recurso foi utilizado na coleta de lixo, em que o senhor declarou que os recursos para este fim estavam acabando?

Pe. Gabriel:Havia uma programação dentro do orçamento, mas por ter que levar o lixo para outro município os gastos com a destinação de resíduos sólidos praticamente dobrou.

J.O.: Mas a Anaconda diz que continua com o contrato com a prefeitura, e não aumentou os custos, que eles continuam os mesmos de quando o lixo era deixado aqui em Santa Isabel. 

Pe. Gabriel:Isso não é verdade, a contabilidade mostra que a realidade é bem diferente.

J.O.: Quando assumiu a prefeitura estavam tramitando 33 sindicâncias que apuravam irregularidades na administração quantas e quais foram concluídas? 

Pe. Gabriel:Continuam praticamente todas elas a que mais está adiantada é a do caso do RH (Recursos Humanos) que já passou de sindicância para processo administrativo.

J.O.: Tem alguma decisão, ou a decisão é o processo administrativo? Estes processos serão remetidos para a justiça comum? 

Pe. Gabriel:Também será levado à justiça comum questionei o andamento destes processos ao Delegado, numa visita realizada hoje (quinta-feira). Mas Dr. Carlos Alberto Oliveira disse que não tem previsão de quando resolverá o caso. De nossa parte, dentro de 50 dias temos que ter uma decisão sobre estas sindicâncias.

J.O.: Quais as principais melhorias realizadas nestes 100 dias de governo?

Pe. Gabriel:Não tenho dúvida que são os secretários, o grande ganho dos 100 dias é a equipe, de onde sairá a mudança de Santa Isabel. Visualmente não vemos mudança grande, mas ressalto que nunca aconteceu de um prefeito voltar aos bairros após as eleições.  Estamos nos alicerces que ninguém vê, mas dentro de três meses já será perceptível as grandes mudanças, limpeza, transbordo, bota fora, transporte, início da obra da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto).

J.O.: Quais os principais obstáculos?

Pe. Gabriel:Ninguém vê o alicerce, leva tempo e gastos. Mas temos a intenção de entregar se não em três meses, mas ainda este ano, o cinema. Vamos reformar para não pagar mais aluguel, vamos fazer funcionar como está, nada muito grande, depois as grandes reformas seguirão conforme o recurso disponível.

J.O.: Especialistas afirmam que o excesso de funcionários, principalmente em cargos de confiança, quantos cargos de confiança tem hoje na prefeitura de Santa Isabel?

Pe. Gabriel:Estamos mantendo praticamente os mesmos cargos, em torno de 150 cargos de confiança e pouco mais de 1.400 concursados. Mas eu gostaria de reduzir conforme indica o Tribunal de Contas, acabar com cabide de emprego, acabar com politicagem e ter concurso público mesmo. Uma cidade que quer caminhar para frente tem que acabar com a politicagem.

J.O.: Ao mesmo tempo é necessário que existam pessoas de confiança e não necessariamente de carreira. Neste cenário quantos cargos de confiança o senhor teria hoje?

Pe. Gabriel:Se fosse para eu escolher, colocaria em torno de 30, não precisaria mais que isso, só os secretários e os diretores. Mas agora seria uma loucura retirar todos os cargos de confiança, precisamos de uma boa reforma administrativa, ter Plano de Carreira.

J.O.: A Câmara aprovou seu pedido de novas secretarias, como será a estrutura delas este ano?

Pe. Gabriel:Na verdade não muda muita coisa do que eles já estão fazendo, não pretendo contratar mais que os secretários, seus diretores e uma pessoa para secretariar. Na verdade toda secretaria deveria ser assim.

J.O.:Sobre a ETE, o senhor disse que tem até junho para começar as obras, mas a Cetesb diz que ainda não recebeu o projeto novo para licenciar a construção da ETE. Como a prefeitura garantirá que não perderá os R$20 milhões já disponibilizados pelo Governo?

Pe. Gabriel:Na verdade está nas mãos do governo que quer que comece tanto quanto eu, mas esbarra no Meio Ambiente, que quer análise do terreno. Por mim, para não perder o recurso nem precisava mudar o projeto, mas o problema é a área contaminada. 

J.O.: Mas se existe uma contaminação de solo ela afeta a UPA (Unidade de Pronto Atendimento)?

Pe. Gabriel:Pode ser, a análise está sendo feita agora e resultado sai dentro de 50 dias. 

J.O.:Sua gestão já definiu se será Sabesp ou não?

Pe. Gabriel:Temos que resolver primeiro a questão da ETE, para depois definir esta questão. J.O.: Como o senhor vê a questão do estacionamento rotativo?

Pe. Gabriel:É impossível não ter um sistema de cobrança, a empresa não está satisfeita tanto quanto a população, o jurídico está revendo contrato. Mas a prefeitura ganha um bom dinheiro com a Zona Azul, somando tudo, inclusive os impostos beira uns 40% do que entra. Espero implantar ainda este ano mudanças em todo o trânsito, por se tratar de uma questão de segurança pública.

J.O.: E a saúde?

Pe. Gabriel:É um dos maiores desafios de nossa gestão e estamos analisando as planilhas para verificar quais medidas deverão ser tomadas para minimizar os problemas.

J.O.: E as negociações com o Hospital Santa Marcelina?

Pe. Gabriel:Estamos conversando com um grupo universitário que pode fazer uma pesquisa dando-nos um diagnóstico de como está à saúde e nos apontando exatamente as falhas e as possíveis soluções. 

J.O.: E a Santa Casa?

Pe. Gabriel:Quanto mais pontos de atendimento à saúde, melhor, tem lugar para todos.

J.O.: A Estratégia Saúde da Família não funciona?

Pe. Gabriel:Não é verdade, a equipe está trabalhando, mas falta equipe para tanta demanda, e a quantidade de equipes depende dos recursos. 

J.O.: Como o senhor pretende resolver o problema dos médicos que não cumprem as horas estipuladas pelo contrato e acabam forçando a prefeitura a contratar mais profissionais?

Pe. Gabriel:Para ele trabalhar 20h teremos de pagar dobrado, caso contrário podemos perder o profissional, pois sofremos no país a falta de médico. Pediatra por exemplo é difícil de achar, mesmo que se pagar o dobro.

J.O.: O desenvolvimento econômico é consequência do turismo?

Pe. Gabriel:Eu gostaria de ter criado uma secretaria só para o desenvolvimento empresarial, criar um parque industrial. Mas como não foi possível, temos uma secretaria nova com duas frentes: uma para valorização cultural visando o turismo e outra para o setor comercial, industrial.

J.O.: A secretaria de Segurança terá poder de polícia?

Pe. Gabriel:Estamos analisando experiências de outros municípios, em Socorro, por exemplo, existe uma guarda armada, que faz serviço de Samu, apoia a polícia, controla trânsito, entre outros. O novo secretário ajudará a levantar verbas para o setor.

J.O.: Em algum momento o senhor viveu algum conflito na sua posição de Padre e na de Prefeito?

Pe. Gabriel:Não entendo um Padre que vá para política a não ser para cuidar dos pobres, porque está preocupado com o povo. Meu sacerdócio está sendo exercido na política, eu não separo, trabalho até tarde sem peso porque para mim esta é minha missão sacerdotal. Fui saber quanto ia ganhar quando recebi o primeiro holerite, não trabalho pelo salário ou para ser reeleito, mas para estar a serviço da população.

J.O.: Gostaria de passar uma mensagem final para Santa Isabel?

Pe. Gabriel:Outro dia me disseram que todo lugar que vou levo comigo a mudança, parece que é para isso que eu vim. Quero que o povo me ajude nesta mudança, fui colocado aqui pelo povo e por Deus e espero o apoio da comunidade nesta transformação.