“Fabricado na China”

Por Dr. Luis Carlos Corrêa Leite

Colunas & Opiniões Em 09/11/2013 01:02:50

Durante o governo militar viveu o Brasil uma fase econômica cujo lema era “exportar é a solução”. Assim, queiram ou não os críticos dessa era política, o país deu um salto de qualidade em sua indústria, o que certamente refletiu no quadro de criação de empregos, que é o grande drama de uma nação em que anualmente milhões de jovens batem às portas das empresas.

A partir do ano de 1.973 é que começou o grande desequilíbrio do balanço de pagamentos, mas não em função da queda das exportações, e sim da importação desmesurada do petróleo, que teve seu preço multiplicado por seis, da noite para o dia. Enquanto países de economia civilizada impuseram graves restrições ao consumo, o que via no Brasil era gigantescos congestionamentos em direção às praias. 

 Tal reflexão torna-se necessária porque, embora pareça ao cidadão comum ser uma questão que não lhe afete, a atual situação econômica do Brasil certamente afetará a vida de todos nós. O discurso petista de que já atingimos a autossuficiência na produção de petróleo tem sido desmascarado pela crescente importação de derivados do produto, em especial a gasolina, diante do irresponsável aumento da produção de automóveis, em detrimento dos meios de transporte coletivo, como trens, ônibus ou a navegação de cabotagem, que é aquela feita pela costa marítima.

Durante o governo Lula o país, apesar das imperfeições e da falta de modernização da legislação trabalhista, pôde manter o equilíbrio econômico a custa da exportação de produtos primários, como minério de ferro e soja. Mas tratam-se estas de produção cada vez mais automatizada, que dispensa a mão de obra intensiva. E esses produtos foram exportados de forma significativa para a China, que em breve se tornará o grande império do planeta.

E tais compras não são feitas de forma gratuita. Em troca, o império chinês exige a contrapartida de abertura do mercado brasileiro para os seus produtos industrializados. Tratando-se de um país com governo notoriamente autoritário, em que as liberdades democráticas inexistem, certamente não têm os trabalhadores chineses nenhuma condição de reivindicar direitos, e o resultado disso é o baixo custo de produção – numa concorrência desleal -, que tem tornado viável, inclusive, a transferência da produção de indústrias brasileiras para a China, limitando-se estas no Brasil a atividade de distribuição. 

 Assim, vemos o aniquilamento da indústria têxtil, tradicionalmente a grande geradora de empregos. Mas a praga se espalha por todo o setor de manufatura. E o pior de tudo isso é que não se vê qualquer manifestação política relevante diante do problema. Ao contrário, age-se como se tudo estivesse normal na economia. 

Dentro em breve, disso ninguém duvide, seremos mais uma província chinesa.